Bosch não repassaria salário do INSS
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba Os funcionários afastados por doenças ocupacionais, como Lesão por Esforço Repetitivo (LER), lutam contra a falta de informações e burocracia dos convênios mantidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) com as empresas. Os trabalhadores com a saúde comprometida alegam que quando têm direto a receber diferenças salariais, só ficam sabendo no final do período de afastamento, quando retornam às empresas. Os funcionários alegam que os contracheques não são claros nas informações sobre o valor correto dos benefícios e do salário efetivo a que têm direito.
De acordo com o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região, Núncio Manalla, os trabalhadores devem ser informados corretamente sobre os valores dos benefícios que estão sendo repassados pelo INSS. Aliás, o INSS informou, através de sua assessoria de imprensa, em Brasília, que os repasses mensais dos proventos do INSS têm que ser integrais e não podem ser pagos no final do benefício, como está ocorrendo.
Esse é o caso da empresa Bosch, fabricante de peças com sede em Curitiba. S.S., um funcionário da empresa, procurou o sindicato para saber o motivo da suspensão do seu benefício. Ele tinha sido afastado por doença ocupacional em outubro do ano passado, mas em janeiro deste ano não recebeu o provento correspondente a dezembro.
Na investigação do problema, Manalla descobriu que o valor do benefício de S.S. era bem superior ao salário que vinha da empresa. O trabalhador exibiu seus contracheques relativos aos meses que estave afastado e os extratos da conta bancária, comprovando que o valor recebido era inferior ao pago pelo INSS. De acordo com a documentação apresentada, o trabalhador teria direito a receber R$ 1.205,75 no mês de outubro do ano passado e recebeu efetivamente R$ 812,31; em novembro, tinha direito a R$ 1.614,84, mas recebeu R$ 800,00; em dezembro deveria receber R$ 1.291,87, mas o pagamento foi de R$ 2.795,44, sendo que nesse valor está incluindo o pagamento de Participação de Lucros e Resultados (PLR). Em janeiro, o INSS repassou R$ 1.286,80 e o trabalhador recebeu R$ 900,00 brutos.
A Bosch alega que eventuais diferenças salariais como o apontado pelo sindicato são pagas ao final da licença, quando o funcionário retorna ao trabalho. Além disso, a empresa afirma que presta um serviço a S.S., porque os pagamentos efetuados correspondem a adiantamentos com base no salário atual, já que normalmente o INSS paga com um mês de atraso. ''Da forma como vem ocorrendo, o trabalhador não tem interrupção no pagamento do salário'', explicou René Lopes, chefe da Administração de Recursos Humanos da Bosch.


