O resultado obtido no lançamento dos bônus da República no mercado europeu - no valor de US$ 543 milhões por um prazo de cinco anos e taxa de 420 pontos acima da taxa do Tesouro norte-americano - foi bem recebido por analistas financeiros e econômicos. O resultado da operação foi considerado ‘‘muito positivo’’, apesar do preço pago ter ficado um pouco acima das estimativas anteriores dos analistas e indicar um custo bem mais alto e um prazo mais curto que o obtido nas emissões anteriores à crise asiática.
Os lançamentos públicos feitos no mercado externo no terceiro trimestre do ano passado alcançaram uma taxa média de 385 pontos acima da taxa norte-americana e foram feitos por um prazo médio de 12 meses, segundo levantamento do Banco BMC. ‘‘O resultado foi bom, indica que existe interesse no risco Brasil, mas não significa que o mercado externo vai receber de braços abertos qualquer emissão’’, pondera Paulo Henrique Rocha, responsável pela área internacional de capitais do Banco Bozano,Simonsen.
Ele lembra que o lançamento foi feito no mercado europeu e o grande teste será o mercado norte-americano, que vinha sendo responsável (no ano passado) por 40% a 50% das emissões de bônus de empresas brasileiras. O custo pago, pondera Rocha, indica que a crise asiática elevou em 200 pontos acima da taxa norte-americana o preço das emissões brasileiras. ‘‘Mesmo considerando que a própria taxa americana subiu, é um preço mais alto’’, observa.
Sucesso Analistas ouvidos em Nova York e Londres consideraram um sucesso a emissão de 500 milhões de euros em eurobônus de cinco anos feita hoje pelo Brasil. ‘‘O preço foi muito atraente para os investidores. A emissão vai ajudar o Brasil a cobrir suas necessidades de financiamento para 1998 a um preço muito razoável’’, comentou Jaime Valdivia Hernandez, estrategista de dívida latino-americana da Morgan Stanley Dean Witter.
‘‘O Brasil precisava mostrar que o mercado estava aberto para ele. Foi uma mensagem aos investidores, de que o País pode levantar capital, mesmo que não precise imediatamente’’, disse Luc Cardyn, do Paribas em Londres.

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