Bônus deverá beneficiar poucos usuários
Poucos consumidores deverão ser beneficiados com o bônus criado pelo governo para estimular a economia de energia. Segundo as regras anunciadas ontem, os consumidores residenciais que gastam até 100 kWh por mês ganharão até R$ 2 de desconto na conta de luz a cada R$ 1 de economia no consumo. Na faixa até 100 kWh/mês, porém, qualquer redução de gasto de energia é muito difícil, pois já se trata de um consumo pequeno.
É o equivalente a uma casa que usa energia apenas para manter ligados uma geladeira ininterruptamente (90 kWh) e um ferro elétrico, uma hora por dia durante dez dias no mês (10 kWh). O ministro Pedro Parente (Casa Civil) destacou que, se os consumidores até 100 kWh economizarem 34% no consumo de energia, não precisarão pagar nada de conta luz no final do mês. Para obter esse resultado, o consumidor que gasta 100 kWh precisaria cortar o uso do ferro elétrico e desligar a geladeira algumas horas por dia.
Já para as famílias que gastam acima de 100 kWh, embora também haja pagamento de bônus, o desconto pode ser de centavos. O dinheiro para custear os descontos virá da sobretaxa cobrada dos consumidores que gastam mais energia. Caso todos os consumidores cumpram suas metas de redução de consumo, a arrecadação com a sobretaxa pode ser reduzida. Acima de 100 kWh, o pagamento pode ser de até R$ 1 porque o volume arrecadado vai ser rateado entre esses consumidores, explicou Parente.
Medida exemplar O principal instrumento para convencer a população a economizar energia, o corte individual, deverá ser apenas uma ameaça na maioria dos casos. Existem limitações logísticas disse o diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), José Mário Abdo.
Ao contrário dos apagões programados, que podem ser efetuados quase sempre de uma sala de operação da distribuidora, os cortes individuais exigem desligamentos manuais feitos um a um. Um dos principais técnicos na elaboração do plano de racionamento disse que não haverá gente o suficiente nas distribuidoras para desligarem as casas, se a maioria dos consumidores decidir não respeitar sua meta de consumo. Segundo essa fonte, que pediu para não ser identificada, em junho o governo deve ser bastante flexível no cumprimento das metas, pois a população precisaria de um tempo para saber como alcançar sua meta de economia. O corte individual deve funcionar apenas como medida exemplar. Uma autoridade do governo comparou o sistema de cortes individuais com as multas de trânsito por excesso de velocidade. Muitas vezes o motorista excede a velocidade, mas não é autuado. (Das agências)





