Bons tempos do café estão de volta
Da Redação
A safra atual de café no Paraná pode ser a maior desde 1991, quando teve início o cultivo pelo novo modelo tecnológico do plantio adensado no Estado. A colheita deve render este ano 2,47 milhões de sacas de 60 quilos de café beneficiado, 11% maior que o obtido na safra passada (2,22 milhões de sacas), injetando na economia paranaense R$ 341 milhões. A alta produtividade está sendo impulsionada pelo café adensado, que vem triplicando a produção em relação ao cultivo tradicional.
Os bons resultados das lavouras de café adensado marcam o resgate da cultura no Estado. A área total plantada com café no Paraná é de 149 mil hectares, dos quais 131 mil hectares estão em produção. Desse total, 36,6 mil hectares - 24% da área plantada - foram plantados com café adensado. Estão em produção 20 mil hectares de café adensado - 15% do total de lavouras. O plantio adensado está rendendo 47 sacas beneficiadas/ha, enquanto o plantio tradicional rende apenas 17 sacas/ha.
A área plantada representa menos do que o plantio da safra 91/92 (400 mil ha). Ocorre que de lá para cá, a cafeicultura entrou em declínio e o sistema tradicional faliu consequência de um conjunto de fatores como o depauperamento do solo, idade dos pés de café, falta de tecnologia, baixos preços e, por fim, a geada de 1994.
Desde essa época o Iapar pesquisou o novo modelo de plantio adensado. Esse novo modelo acentuou as desvantagens do cultivo tradicional, e as vantagens das áreas novas que estão sendo introduzidas são todas ocupadas com o adensado. Isso porque o rendimento é muito maior, garante o técnico da Emater, Edson Trento. Segundo ele, numa área de 2.000 plantas/ha, no modelo adensado pode aumentar em até quatro vezes a população de plantas e colocar até 10.000/ha.
Baixo custo O custo de produção é outra vantagem do novo modelo. Em maio, o produtor que cultivava pelo método tradicional teve uma despesa de R$ 96,00/saca, computando custos de insumos, mão-de-obra e depreciação do maquinário. Pelo plantio adensado, o gasto do produto foi de R$ 62,00/saca. Além da boa colheita, o produtor está sendo beneficiado pelo mercado. Este mês, o preço médio da saca ficou em R$ 144,00, valor considerado vantajoso para os dois sistemas de produção - adensado e tradicional. No cultivo tradicional, a rentabilidade é de 50%, enquanto no plantio adensado ela cresce para 130%.
O desempenho da safra de café no Paraná estimula os produtores a investirem mais na qualidade do produto. A conscientização do produtor para a importância da qualidade é a meta da campanha Café Qualidade Paraná, desenvolvida pela Secretaria da Agricultura. Um exemplo de que o produtor já se preocupa mais com a qualidade é o aumento da venda de panos para colheita nas cooperativas e pontos de revenda de insumos. O produtor começa a perceber que, além de uma boa produção, precisa de técnicas de colheita e manejo de terreiros, que elevam a qualidade do produto.





