Bono denuncia descaso com nações pobres
A sovinice das nações ricas é responsável por um número muito maior de mortes diárias do que todas as vítimas do ataque terrorista de 11 de setembro nos Estados Unidos. Todo dia, milhares de pessoas morrem nos países pobres pela falta de remédios aos quais poderiam ter acesso se os países mais ricos do mundo aumentassem o porcentual do PIB gasto em ajuda humanitária de uma média atual em torno de 0,1% do PIB, mesmo que este aumento ainda deixasse aquele volume de recursos bem abaixo de 1% do PIB.
A crítica ao descaso do mundo rico para com a dramática crise de saúde nos países mais pobres principalmente os efeitos devastadores da aids, tuberculose e malária atingiu um tom particularmente agudo neste Fórum Econômico Global de 2002. O tema foi levantado de forma firme, e às vezes até agressiva, por personalidades tão diferentes quanto Bono Vox, líder da banda irlandesa U2; Bill Gates, fundador e principal acionista da Microsoft (que criou um fundo de US$ 24 bilhões dedicado à saúde das crianças mais pobres do mundo), e Jeffrey Sachs, economista da Universidade de Harvard.
Mortos não podem compor uma força-de-trabalho produtiva, reagiu Bono, com evidente sarcasmo, depois de uma ponderação de Ernesto Zedillo Ponce de Leon, sobre a necessidade de que haja alguma vinculação entre a concessão da ajuda financeira e a demanda de que os países que a estão recebendo adotem práticas razoáveis no seu uso, em política econômica e no governo.





