O Mato Grosso do Sul (MS) não poderá requerer o status de área livre de febre aftosa enquanto não for sacrificado os cerca de mil bovinos da Fazenda Bonanza, localizada em Eldorado. Embora o rebanho já tenha sido até vacinado, e o isolamento viral não tenha sido feito em exames laboratoriais, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) considera a propriedade foco da doença. A Bonanza é a ligação entre a aftosa do MS e do Paraná, uma vez que cerca de 400 animais trazidos da propriedade foram comercializados em um leilão em Londrina no início de outubro.
A alegação para confirmar um foco da doença na propriedade é exames de sorologia positiva (contestada pelos pecuaristas), sinais de cicatrização de lesões em alguns animais e distância de 3 quilômetros da Fazenda Vezzozo, onde foi registrado o primeiro foco da doença no MS. Uma decisão judicial, obtida no mês passado, impede o sacrifício do rebanho até que fique provado que os animais estão doentes. O Mapa juntou ao processo 13 diagnósticos laboratoriais de Probang (que isola o vírus), que são negativos. Essa decisão é semelhante à liminar que impediu o abate na Fazenda Cachoeira (em São Sebastião da Amoreira, no Paraná).
A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) anunciou, na segunda-feira, o fim das ações de erradicação da febre aftosa no Mato Grosso do Sul. Foram sacrificados 30.179 animais. Segundo o diretor-presidente da Iagro as propriedades ficarão 30 dias sem bovinos. Em seguida, bois-sentinela (bezerros não vacinados) serão colocados nas fazendas para testar a eficiência da limpeza sanitária. Esses animais devem permanecer nas áreas durante 30 dias sem ficar doentes. Depois, os bezerros são submetidos a testes para verificar se ainda há vírus de aftosa na região.
Segundo o superintendente do Mapa no MS, José Antônio Felício, o fato de o gado da Bonanza não ter sido sacrificado vai retardar o processo para que o Estado recupere o status de área livre da aftosa. Se os bovinos chegarem a ser sacrificados, o prazo para que o Estado recupere a condição de livre de aftosa passa a contar a partir do último abate. Se os animais não forem abatidos, o prazo será estendido para 18 meses. O fato de o MS ainda contar com uma propriedade considerada foco não impede o início dos trabalhos de vazio sanitário em propriedades vizinhas.
''Tem barreiras sanitárias na fazenda (Bonanza), iremos deixar a propriedade confinada e os técnicos da vigilância farão inspeções frequentes no local. O gado da Fazenda Vezzozo, por exemplo, será colocado a uma distância suficiente para que não seja afetado. Acredito que o caso tem solução'', disse Felício. Na sua avaliação, a atitude dos proprietários da Bonanza está colocando em risco as fazendas vizinhas que trabalham com a pecuária. Segundo ele, a Advocacia Geral da União já recorreu da decisão junto ao Tribunal Regional Federal e tão logo a decisão de 1 instância seja revogada, o sacrifício do rebanho será imediato.

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