São Paulo - A Bombril do Brasil, indústria do setor de higiene e limpeza, fechou 2003 com um prejuízo de R$ 1,853 bilhão, após um lucro de R$ 603,595 milhões no ano anterior. ''Para a Bombril, foi um dos mais difíceis e complexos anos de sua história'', reconhece a empresa, no balanço divulgado ontem na Bovespa.
A empresa citou o ''maior desemprego e perda do poder aquisitivo da população'' e a crise financeira que abateu a empresa após o calote dado pelo seu controlador italiano a credores no fim de 2002. No Brasil, a competição também aumentou nos últimos dois anos com a entrada da Assolan no segmento de lã de aço. A Bombril ainda é a maior fabricante de lã de aço do País, mas perdeu participação (''market share'') com a ofensiva da concorrente. Números recentes apontaram para um fatia de mercado inferior a 70%. Foi a primeira vez em 55 anos que a Bombril apareceu abaixo dessa marca.
Em 2003, as receitas líquidas da Bombril tiveram uma queda de 22,5%, somando R$ 363,213 milhões, ante R$ 468,814 milhões em 2002. O volume de vendas despencou 35%. A empresa lembra os efeitos negativos para a saúde financeira da empresa decorrentes do ''default'' do grupo Cirio na Itália decretado no fim de 2002. Com a crise dos seus controladores estrangeiros, a Bombril do Brasil foi colocada à venda. Especulou-se que a Assolan compraria a empresa.
Em julho do ano passado, a Bombril teve uma mudança de comando, já sob intervenção da Justiça. Segundo a empresa, esses fatos ''comprometeram seriamente a estabilidade, a credibilidade e sobretudo a sua própria sobrevivência''.
Em 2003, os negócios com as ações da Bombril chegaram a ser suspensos pela Bovespa devido a pedidos de falências por fornecedores. No ano passado, a empresa fabricou cerca de 200 mil toneladas de produtos e destacou que bateu ''recordes'' de produção e vendas do seu principal produto, a lã de aço. A empresa informou também que, no fim de 2003, o quadro de pessoal era composto por 1.756 empregados diretos e 524 terceirizados.
Com a perda de R$ 1,853 bilhão (US$ 642 milhões), a Bombril superou a Varig no ranking dos maiores prejuízos de 2003 na América Latina. Na semana passada, a companhia aérea divulgou um resultado negativo de R$ 1,836 bilhão (US$ 636 milhões), considerado até então a maior perda anual na região, segundo a consultoria Economática.

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