Bombril gastará R$ 5 milhões com garoto-propaganda
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quarta-feira, 18 de agosto de 2004
Sérgio Ripardo<br> Agência Folha 
São Paulo - Após dois anos sem anunciar devido às dificuldades financeiras, a Bombril vai gastar R$ 5 milhões com a campanha de despedida do seu garoto-propaganda, Carlos Moreno, que estréia hoje na TV com previsão de ficar no ar durante um mês.
Esse valor inclui as despesas de produção, como o cachê pago ao ator, e de veiculação do filme, segundo o publicitário Washington Olivetto, da agência W/Brasil, que foi um dos criadores do personagem ''Garoto Bombril'', em 1978. O investimento é bem inferior ao que a fabricante de lã de aço costumava reservar para seus comerciais.
Segundo Olivetto, a Bombril chegou, no auge, a investir cerca de US$ 15 milhões (R$ 45 milhões) em mídia por ano. O publicitário diz que a idéia era aposentar o Garoto Bombril no ano passado, quando o personagem completou 25 anos, mas a empresa estava sem condições financeiras para anunciar na TV.
Ele conta que Carlos Moreno tem um contrato mensal com a Bombril e recebe ainda um cachê por cada filme. Os valores não foram divulgados. Nos últimos meses, o mercado publicitário já comentava a saída de Moreno. Chegou a circular uma versão não-confirmada oficialmente de que o ator estava com os salários atrasados.
''Era um custo elevado para eles (Bombril)'', afirma Olivetto. O filme que estréia hoje será o 337º de Moreno, considerado pelo livro Guiness dos recordes como o garoto-propaganda mais antigo em atividade no mundo.
O publicitário diz que Moreno foi convidado duas vezes para trocar a Bombril pela concorrente Assolan, cuja lançamento foi feito pelo publicitário Nizan Guanaes, o mesmo que convenceu o cantor Zeca Pagodinho a trocar a Schin pela Brahma neste ano. ''O Moreno é meu amigo e muito ético. Ele recusou os convites'', diz Olivetto.
O publicitário diz que a saída de Moreno não vai se refletir em quedas nas vendas da Bombril. ''A marca é consagrada. Mesmo há dois anos sem anunciar, continua na liderança'', diz Olivetto.
No mês passado, a Bombril informou que sua participação cresceu de 71,9% para 76,8% no bimestre março-abril deste ano, segundo números da empresa de pesquisa de mercado ACNielsen. A Assolan que não comentou a pesquisa caiu de 25,7% para 21,2%, segundo a Bombril. ''Bastou a Assolan sair do ar que perdeu participação'', diz Olivetto.
Na sua última aparição, o Garoto Bombril dará tchauzinho e dirá: ''A gente se encontra por aí. Nos supermercados da vida. Perto da prateleira do nosso querido Bombril''. Ele dirá ainda que faz parte de uma minoria (''garoto-propaganda tímido'') e apresentará seis representantes de ''minorias'', nas palavras de Olivetto: uma mulher em cadeira de rodas, um torcedor com a camisa do América do Rio, uma mulata de olhos verdes, um casal gay, um vesgo e um ''comedor'' de feijão com arroz.


