Vendas de 10% a 15% maiores que em março de 1996, com mais negócios sendo fechados apesar do menor número de consultas de interessados em fazer negócio. Esta é avaliação do mercado de imóveis novos em Curitiba no mês passado, feita pelo diretor de compra e vendas do Secovi, Luiz Antonio Cossio. ‘‘O mercado de imóveis novos está bem de vendas, embora seja muito competitivo, pois há muitos lançamentos’’, avalia.
‘‘Não estamos num boom de compra, mas estamos longe de estar parados’’, compara Cossio. Segundo ele, um dos fatores que estão impulsionando a venda de novos é o bom desempenho dos usados. ‘‘Há muita gente que vende um imóvel velho para comprar um novo. As pessoas estão investindo na qualidade de vida, em seus filhos’’, afirma. ‘‘Ninguém mais vende um imóvel para colocar o dinheiro na caderneta de poupança’’, completa.
De acordo com Cossio, o mercado de imóveis hoje está sendo ‘girado’ por pessoas que ‘‘melhoraram de vida’’ e estão trocando seus imóveis por outros maiores. ‘‘São pessoas que vendem um imóvel velho para comprar um novo, vendem um de dois quartos para comprar um de três’’.
Entre as características do mercado de imóveis novos neste momento, o diretor do Secovi destaca o que chama de ‘‘maior consistência do cliente’’, referindo-se ao aumento dos negócios fechados em relação às consultas a um agente imobiliário. Os compradores estão mais exigentes e sabem exatamente o que querem.
‘‘Antes (da inflação) as pessoas tinham pressa em comprar, pois o preço poderia subir de uma hora para outra. Hoje a pressa é só para não perder o imóvel com as características que ela quer: se quer um apartamento num andar alto e demorar a fechar o negócio, pode só achar apartamentos em andares baixos’’, afirma.
Segundo Cossio, a queda da inflação também tem beneficiado o mercado imobiliário, bastante dependente de financiamentos. ‘‘Hoje os compradores assumem as prestações muito conscientes, planejando melhor os ‘balões’ intemediários e sabendo que vão poder pagá-las’’, diz.
O diretor do Secovi avalia que o ‘‘bom padrão de construção’’ dos imóveis é uma dos pontos fortes do mercado imobiliário paranaense. ‘‘Temos construtoras pequenas construindo prédios de médio padrão muito bons’’, diz. Segundo Cossio, os preços paranaenses são compatíveis com os de outras capitais. ‘‘Aqui ainda temos terrenos mais baratos que em São Paulo e Rio, o que permite reduzir o custo do metro quadrado construído’’, diz.
‘‘Antes diziam que Curitiba tinha o metro mais quadrado construído mais barato do Brasil. Só que estávamos comparando área útil, critério utilizado em outras cidades, e área total dos imóveis, utilizado em Curitiba. No final, os preços se equivalem’’, afirma.

mockup