Curitiba - A compra da operadora de telecomunicações GVT pelo grupo francês Vivendi é vista com bons olhos sob o ponto de vista do consumidor. A aquisição pode trazer concorrência e preços mais competitivos. A coordenadora institucional e advogada da Associção Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), Maria Inês Dolci, destacou que hoje há um certo monopólio na área de telefonia fixa no Brasil.
No entanto, ela disse é esperado que não haja entraves no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), entidade que vai aprovar a compra. ''A competição é saudável. Pode baixar custos e melhorar a qualidade'', afirmou.
Maria Inês disse que o principal problema na área de telefonia é o desrespeito à qualidade do serviço. ''Também temos pequenos apagões na telefonia'', destacou. Ela lembrou ainda que a solicitação pela portabilidade é duas vezes maior do que a efetivação, isso porque muitas vezes as empresas alegam problemas cadastrais do cliente para não fazer a mudança.
A partir do momento que a venda for consolidada com a aprovação pelo Cade, o consumidor deve estar atento aos custos, verificar o que a empresa vai oferecer de serviços, o tipo de atendimento e ainda comparar com o que já há no mercado.
Planos
A Vivendi informou que planeja uma participação duradoura no mercado brasileiro. A meta é consolidar a abordagem dinâmica da GVT e expandir a empresa nas regiões do país onde tem apenas pequena ou nenhuma presença. No momento, a intenção é manter os funcionários e não demitir.
A Vivendi é um grupo francês de comunicação e entretenimento que cria e distribui conteúdos musicais, audiovisuais e cinematográficos por assinatura. Além disso, constrói e opera plataformas de distribuição de redes digitais que atendem milhões de consumidores.
Ocupa posição de liderança mundial nos negócios de videogames e música. É vice-líder em telecomunicações na França e líder no Marrocos. Também está em segundo lugar em TV por assinatura na França.
Controla a ''Activision Blizzard'' (vídeo game), ''Universal Music Group'' (música), SFR (telefonia móvel e fixa), ''Maroc Telecom group'' (telefonia fixa do Marrocos), Canal + Group (TV por assinatura da França) e ainda detém 20% da NBCU (uma das líderes em mídia e entretenimento nos Estados Unidos).
Em 2008, a Vivendi teve receitas de 25,4 bilhões de euros e receita líquida ajustada de 2,7 bilhões de euros. Com operação em 77 países, o grupo conta com aproximadamente 43 mil empregados.
A GVT teve receita líquida de R$ 442,3 milhões no terceiro trimestre de 2009, 27,3% a mais que no mesmo período do ano passado e conta com 5,2 mil funcionários. Procurada pela reportagem, a empresa informou que não irá comentar a venda para a Vivendi.

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