Bom momento para o varejo
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terça-feira, 11 de maio de 2010
Célia Froufe<br> Agência Estado 
Brasília - O comércio não tem do que reclamar: vendas em alta e inadimplência em baixa fazem parte do quadro do setor atualmente. E com a perspectiva de crescimento do emprego formal, as estimativas são ainda mais positivas para o final do ano. As vendas do Dia das Mães já surpreenderam os lojistas e este é só um sinal do que ainda está por vir. Isso porque o segundo semestre, historicamente, tem mostrado resultados melhores do que os da primeira metade do ano.
Além disso, este ano tem um ingrediente que costuma movimentar o comércio: a Copa do Mundo. Por tudo isso, a expectativa é de que as vendas cresçam ''mais de 10%'' em 2010 em relação ao ano passado. ''O quadro está muito bom e tende a melhorar'', resumiu o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Junior.
Só em abril, o número de consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) apresentou alta de 8,67% na comparação com o mesmo mês do ano passado. O levantamento funciona como um termômetro das vendas e é utilizado para compras a prazo e pagamentos em cheque em 800 mil pontos de venda no País. Em relação a março, houve queda de 8,95%, mas isso não preocupou Pellizzaro que atribuiu a redução a fatores sazonais.
Março é tradicionalmente um mês de negócios mais aquecidos por conta das liquidações de queima de estoques para o lançamento da nova coleção. Além disso, houve o feriado da Semana Santa em abril, o que interfere no número de dias úteis e na utilização de parte da renda de alguns consumidores para viagens.
Tanto é que nos quatro primeiros meses do ano, o saldo das consultas ainda é positivo em 7,75%, comparando-se ao quadrimestre de 2009. A pujança dos números é atribuída pelo presidente da CNDL ao aquecimento do mercado de trabalho.
Ele lembrou que, só no mês de março o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, registrou a criação de 266 mil vagas com carteira assinada. ''O brasileiro vem tendo confiança de que não vai perder o emprego, então toma crédito'', disse. Pellizzaro comentou ainda a elevação da estimativa da geração de novos postos, para 2,5 milhões, feita pelo Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, no início deste mês. ''Isso é música para nossos ouvidos.''
Um episódio recente que confirma o bom momento do comércio foi o Dia das Mães. De acordo com o SPC Brasil, houve um incremento de 9,43% das consultas nos 10 dias que antecedem a comemoração em relação a idêntico período de 2009.
Nem tudo, no entanto, são flores para o setor. Frustrados com a confirmação de que o Banco Central (BC) não tem como regulamentar o setor de cartões de crédito por questões legais, os lojistas vão pressionar o Legislativo. ''O BC não conseguiu, mas queremos enquadrar os cartões de crédito'', considerou. ''Eles têm que responder para alguém'', acrescentou. A preocupação é com um dado obtido por uma pesquisa feita pela CNDL ao final do ano passado, de que 35% da inadimplência no comércio é proveniente de operações feitas com cartões de crédito.
Hoje mesmo, está prevista a discussão do tema durante a reunião da Frente Parlamentar Mista do Comércio Varejista. O presidente da Frente, deputado federal Guilherme Campos (DEM-SP), salientou que a principal queixa dos lojistas contra o setor é em relação a prazos e taxas estipulados pelas empresas que fornecem cartões. ''Hoje, pelo posicionamento dessas empresas, o pequeno varejista não tem condição de negociar'', afirmou Campos.
Além disso, a frente quer a diferenciação de preços em pagamentos à vista ou com cartão. Atualmente, é proibido aplicar a diferenciação, com exceção de Brasília.


