Há uma máxima na economia que diz que nos momentos de crise surgem novas oportunidades. É uma realidade. A crise nunca afeta todos da mesma forma ou com a mesma intensidade.
A crise, em muitos casos, pode ser benéfica, pois é o momento de refletir, ponderar e planejar para superar ou amenizar os efeitos que ela possa vir a trazer. E este é um destes momentos. A crise americana se espalhou para o resto do mundo e já começa a mostrar seus reflexos no Brasil. A construção civil colocou o pé no freio; as montadoras de veículos estão intensificando as promoções. Quem tem filhos na escola privada, já começa a voltar os olhos para a escola pública.
E este também é o momento do poder público fechar as torneiras, reduzir custos, fazer a máquina administrativa trabalhar melhor com menos recursos. E é por isto que várias entidades defendem que o governo federal intensifique o esforço para aprovar a reforma tributária o quanto antes.
Não é novidade para ninguém que a carga tributária brasileira é uma das maiores do mundo, chegando próximo de 40% do Produto Interno Bruto (PIB). O número excessivo de impostos, taxas, contribuições e outras formas de cobrança, atrapalham o desenvolvimento da economia. A informalidade ainda é uma prática disseminada exponencialmente no país.
''A carga tributária é uma âncora para as empresas é um freio na distribuição de renda. Hoje a maior parte dos empregos no Brasil é gerada pelas micro, pequenas e médias empresas. Só que com tantos impostos a serem pagos, sobra pouco dinheiro para melhorar os salários e investir no negócio. A crise que assola vários países deveria ser um motor para impulsionar a discussão da Reforma Tributária'', diz o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Martins Ribeiro.
A Reforma Tributária está no Congresso, mas a discussão não avança. A nova Secretária da Receita Federal do Brasil, Lina Maria Vieira, admite que a Reforma é essencial e afirma que quer mudar a postura do órgão. ''Não queremos mais ser vistos como o setor do governo que atrapalha a reforma. Nós também entendemos que a carga tributária é elevada e que é preciso mudar isso. Temos que trabalhar juntos'', disse ela para uma platéia de contadores na sede da Federação Nacional de Contabilistas (Fenacon). Segundo Lina Vieira o Brasil precisa abraçar a bandeira da redução da informalidade.
O primeiro passo foi dado com a ampliação dos segmentos produtivos que podem ingressar na Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, o Supersimples. Com esta medida, milhares de empresas saíram da informalidade. Mas é preciso mais. O ministro da Previdência, José Pimentel, concorda e afirmou aos contadores que a redução da informalidade ajuda a manter saudável o caixa da Previdência que paga benefícios a 26 milhões de aposentados. ''Quanto mais empresas e empregos formais, mais a arrecadação e menos problemas para a Previdência'', disse o ministro.
''Este momento é oportuno para se discutir a reforma. Com menos impostos, mais empresas poderão ingressar na formalidade e, desta forma, ampliando a base de arrecadação, aumenta-se também a arrecadação de impostos. O que não pode é o governo ficar empurrando com a barriga a discussão'', afirma o presidente do Sescap-Ldr.
Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade
de Londrina (Sescap-Ldr)

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