A redução da oferta e o aumento do consumo trazem uma nova realidade para a pecuária leiteira. Depois da crise de 2012, motivada pelos altos custos de produção e os baixos preços oferecidos aos produtores, o setor se mostra novamente favorável para quem produz, principalmente com o aquecimento dos valores nos últimos meses. De acordo com o último levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), divulgado na última segunda-feira, só no Paraná o valor do leite em setembro registrou um incremento de 3,2% em relação a agosto, o equivalente a R$ 0,03 por litro, chegando a ser comercializado no Estado a R$ 1,0926 o litro.
Segundo um recente estudo elaborado pelo Cepea em todo o País, essa é a oitava alta consecutiva do leite em 2013. O preço bruto nacional, somando o frete e os impostos, aumentou, só em setembro, 2,8% em relação a agosto, o que levou o litro do produto a ser comercializado a R$ 1,1162. Cálculos do Cepea apontam que se o preço do mês passado for comparado a setembro de 2012, a alta no valor do produto chega a 21,7%. Para Paulo Ozaki, pesquisador da entidade, vários fatores motivaram essa alta.
Um deles, cita o pesquisador, foi a crise de 2012, quando os pecuaristas reduziram os investimentos em decorrência da alta dos insumos, principalmente soja e milho, que registraram preços recordes. Esse desestímulo do setor culminou na redução da oferta de leite, o que ajudou a elevar os preços. "Somado tudo isso, com o aumento do salário mínimo, o consumo de leite no mercado interno aumentou em 2013. Sem oferta, o preço explodiu", sublinha. Ozaki destaca que essa situação trouxe uma oportunidade para os produtores depois de um período difícil.
Fábio Mezzadri, veterinário do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), destaca que além da crise, os efeitos climáticos, como a chuva que afetou o Paraná em junho e as geadas de julho, prejudicaram as pastagens, o que também ajudou a reduzir a oferta de leite, jogando ainda mais os preços para cima.
O pesquisador do Deral completa que agora as pastagens estão se recuperando, o que possibilitará um aumento na produção do leite. Mesmo assim, Mezzadri observa que os preços tendem a continuar elevados porque a oferta dos principais países exportadores está baixa – e o Brasil deve importar menos produto - e a demanda interna deve continuar aquecida.
De acordo com o levantamento do Cepea, o volume importado de leite reduziu em 8% no acumulado de janeiro a agosto de 2013 frente ao mesmo período de 2012, passando de 758,5 milhões de litros para 697,4 milhões de litros, segundo dados fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Atualmente, o Brasil importa principalmente da Argentina e do Uruguai.
Analistas do Cepea avaliam que a menor disponibilidade do produto importado e o elevado patamar dos preços dos derivados proporcionaram à indústria maior rentabilidade e, consequentemente, melhor remuneração ao produtor em setembro.
Com um rebanho leiteiro de 2,6 milhões de cabeças, o Paraná é hoje o terceiro maior produtor do Brasil, com 3,9 bilhões de litros por ano. O Estado só fica atrás de Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Outros estados
O relatório do Cepea apontou que entre os estados que compõem a lista analisada pela entidade, Goiás continuou pagando o maior preço pelo leite, com o litro cotado a R$ 1,1685, alta de 1,6% frente à média de agosto. Minas Gerais registrou novamente o segundo maior preço, com média de R$ 1,1550/litro, acréscimo de 3,4% em relação ao mês anterior. Em São Paulo, houve reajuste de 1,4%, com o litro chegando a R$ 1,1121.
No Sul do Brasil, a média registrada em Santa Catarina foi de R$ 1,0903/litro, aumento de 2,1% em relação ao mês anterior (R$ 0,02/litro), enquanto que no Rio Grande do Sul a alta foi de 4,6%, com média de R$ 1,0545/litro.

Imagem ilustrativa da imagem Bom momento do mercado leiteiro traz alívio a produtores
mockup