Na safra que terminou em março, a Usina Coruripe, instalada no interior de Alagoas, moeu cerca de 1,8 milhão de toneladas de cana-de-açúcar. O bagaço que sobrou do processo se transformou em energia elétrica, somando uma produção de 32 mw/hora. Metade utilizada para o próprio funcionamento da indústria, a outra parte comercializada para concessionárias de energia. ''A energia gerada pelos resíduos da moagem da cana é um mercado bastante promissor, para as usinas e para o meio ambiente. Mas ainda demanda conscientização de empresários e investimentos do próprio governo federal para a distribuição dessa energia'', afirma Cícero Augusto Almeida, gerente agrícola da Usina.
Ele conta que a Usina em Coruripe recebeu uma série de investimentos para colocar em prática o projeto de geração de energia. Entre os recursos aplicados estão R$ 8 milhões para a implantação do gerador. Isso aconteceu há três anos e, confome Almeida, ainda há necessidade de mais investimentos em caldeiras e outros equipamentos para reutilizar todo o bagaço gerado pela moagem atual e que virá no futuro. Para se ter uma ideia, a capacidade da usina é de 3,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
No que concerne à reutilização de resíduos do processo de industrialização, a usina ainda desenvolve em parceria com a Universidade Federal de Alagoas, um projeto de reuso e tratamento de efluentes para reduzir o consumo de água nos processos industriais de forma inovadora entre as empresas de açúcar e álcool. A partir de estudos físico-químicos, biológicos e energéticos, uma equipe de alunos e professores minimiza a captação de água bruta e o descarte de efluentes no meio ambiente. O trabalho consiste na identificação de microorganismos naturais do próprio efluente que, multiplicados em laboratórios, são reinseridos nas lagoas de tratamento de água, a fim de acelerar a decomposição da matéria.
Com área de 36 mil hectares de terra própria, a empresa alia produtividade, respeito ao meio ambiente e responsabilidade social. E ganhou recentemente a renovação de seu selo ambiental ISO 14001, o qual significa que em todas as áreas da empresa - administrativa, agrícola e industrial - os procedimentos produtivos do açúcar e do álcool acontecem de acordo com rígidas normas de respeito ao meio ambiente. Por essas e outras razões, a Usina de Coruripe se consolida como uma das principais do setor em Alagoas e no Brasil. E, por conta disso, está incluída no roteiro ''Civilização do Açúcar'', o qual foi lançado recentemente e pretende atrair turistas e oferecer gastronomia, cultura e história do Brasil Colonial.
Civilização do Açúcar
O roteiro Civilização do Açúcar engloba três estados nordestinos - Alagoas, Paraíba e Pernambuco - e abrange mais de 20 municípios, dentre eles a cidade de Coruripe. O roteiro surgiu para mostrar aos turistas um pouco da história da produção de cana-de-açúcar da região e o que resultou disso. Conforme profissionais envolvidos no projeto, antes de ter sido um País identificado com o café, o Brasil assinalou sua presença na economia mundial pela produção de açúcar. Palavras como melaço ou mascavo logo se tornaram correntes no vocabulário do comércio internacional.
Entende-se por ciclo do açúcar a fase da história do Brasil marcada pela produção do produto nos engenhos nordestinos. Introduzida em Pernambuco, no começo do século XVI, a cana-de-açúcar teve sua exploração estendida por toda a região ao seu redor e em estados próximos como Alagoas e Paraíba. Ao longo do tempo, a cultura canavieira deixou aos brasileiros um vasto legado: o açúcar mascavo, o refinado, a rapadura, a cachaça, o álcool e um elenco de doces feitos de frutas regionais e receitas desenvolvidas nos próprios engenhos.
Há uma herança cultural adquirida desde o início da colonização brasileira, que se manifesta nos modos de produção, nas relações de trabalho, na miscigenação de raças, no sincretismo religioso, enfim, na realidade do nordestino criado sob a influência dessa cultura. Quem visita a Usina Coruripe pode conhecer um pouquinho desse história e ver como a produção, por exemplo, se dá na época moderna.
A jornalista viajou a Alagoas a convite da revista Turismo e Negócios e da TAM

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