O número de máquinas agrícolas vendidas no Brasil, de janeiro a novembro deste ano, já ultrapassa o volume total negociado em 2001. De acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), nos 11 primeiros meses do ano os fabricantes comercializaram 39.965 veículos, frente aos 35.523 vendidos ao longo de todo o exercício anterior. Comparando com os 11 primeiros meses de 2001, quando foram negociadas 32.916 máquinas, o crescimento é de 21,4%.
  As vendas de novembro de 2002 alcançaram 3.196 unidades e superam em 2,3% os resultados do mesmo mês de 2001. Mesmo assim, em comparação com outubro último, os negócios tiveram queda de 33,6%. A assessoria de imprensa da Anfavea informou que a retração é normal para essa época, por causa do encerramento da safra. É o terceiro ano consecutivo de crescimento nas vendas do setor. Em 1999 foram comercializadas 24.696 máquinas. Em 2000, os negócios alcançaram 31.062.
  Os resultados da fabricante AGCO, do Rio Grande do Sul, confirmam o crescimento divulgado pela Anfavea. Paulino Jeckel, gerente de marketing e comunicação da empresa, revelou que as vendas de tratores, de janeiro a outubro, cresceram 20% com relação ao mesmo período de 2001. A AGCO também comemora crescimento de 23% nas exportações.
  Para o gerente, o cenário positivo é explicado pela desvalorização do real, que tornou o produto agrícola brasileiro competitivo; pela valorização das commodities e a conseqüente capitalização do produtor; e pelas facilidades oferecidas pelo programa Moderfrota, que financia máquinas agrícolas a juros subsidiados de 8,75% e 10,75% ao ano.
  A empresa está otimista para o ano que vem. ‘‘O próximo presidente deve manter as políticas que garantem a balança comercial favorável. Além disso, as commodities continuarão valorizando’’, disse.
  O varejo também comemora um ano de excelentes resultados. Na revenda de Rubem José Witt, em Marechal Cândido Rondon (90 km a oeste de Cascavel), as vendas de 2002, até novembro, superam em 96% os resultados do mesmo período do ano passado. ‘‘O crescimento começou em maio, depois do Agrishow (feira em Ribeirão Preto)’’, explicou.
  Além dos fatores citados por Jeckel para explicar o crescimento, Witt acrescentou que as incertezas com o resultado das eleições impulsionaram as vendas. ‘‘Sem saber quais seriam as políticas do próximo governo, o produtor comprou máquinas para garantir os juros subsidiados do Moderfrota’’, comentou.
  Os pagamentos à vista também aumentaram. ‘‘Por causa da incerteza, quem tinha dinheiro na mão resolveu investir’’, disse ele, que espera bons resultados também em 2003. ‘‘O Lula deve manter a linha de crédito, porque as indústrias vão pressionar. É isso que esperamos do próximo governo’’, comentou.

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