Nem a boa alta da Bolsa de Nova York, nem a informação do Banco Mundial, de que o pacote de ajuda internacional ao Brasil deve sair na próxima semana, deram alento ao mercado acionário doméstico ontem. Os investidores em bolsas mergulharam num profundo desânimo, descrentes do resultado das votações do programa de ajuste fiscal e cientes de que o tempo vôa.
A cada dia, mais dólares saem do País. Ainda que boa parte dos operadores tenha relativizado o forte fluxo negativo de US$ 1 bilhão anteontem, por ser esperado, preocupa cada vez mais a sequência de perdas das reservas. Ao ritmo de US$ 200 milhões a US$ 500 milhões por dia, a situação está longe de ser confortável. E é por isso que a pergunta ‘‘Será que vai dar tempo?’’ é uma das mais ouvidas nas mesas de operação. Ontem deixaram o País US$ 173 milhões.
A Bolsa de São Paulo fechou com desvalorização de 4,22% e o índice futuro caiu 3,42%. De todas as ações da carteira teória paulista, apenas sete subiram. Entre as maiores baixas, destacaram- se Telesp PN (-7,39%) e Eletrobrás ON (-7,02%) e PNB (-6,49%). A Bolsa do Rio caiu 3,96%.
Pode parecer até estranho o mercado não se empolgar com os recursos das instituições multilaterais. É que até a espécie de cheque especial para o Brasil é vista com ceticismo. Importam agora as reformas, por uma questão de sobrevivência do Plano Real. Sem elas, muito dificilmente o investidor estrangeiro voltará a aplicar seus recursos aqui. Gatos escaldados com tantas perdas na Ásia e Rússia, haverá grande dificuldade para convencer estes parceiros de que o modelo brasileiro não está fadado à falência.

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