Bolsas voltam a cair em todo o mundo
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de dezembro de 1997
Agência Estado Tóquio e São Paulo 
As bolsas de valores em todo o mundo voltaram a recuar sob o impacto do colapso combinado dos mercados financeiros coreano e japonês, ambos submersos na crise de confiança dos investidores domésticos e internacionais, credibilidade ontem mais abalada por novas falências - como a da companhia nipônica de alimentos Toshoku Ltd. - e pela queda livre das divisas nacionais, o iene e o won.
Em Wall Street, em dia de exercício de opções, a Bolsa de Valores de Nova York chegou a perder mais de 260 pontos, fechando, no entanto, em queda de 90 pontos ou 1,15%, com o receio generalizado de a crise japonesa vir a comprometer seriamente os lucros das grandes corporações americanas. Beneficiados pela crise asiática, os títulos do Tesouro norte-americano operam em alta, projetando queda no juro dos T-bonds de 30 anos para 5,89%.
No fogo cruzado entre Nova York e Tóquio, o mercado europeu sucumbiu - com a queda das blue chips em Londres, Paris e Frankfurt -, bem como as praças financeiras da América Latina. A Bolsa da Cidade do México caiu 1,9%, o índice Merval de Buenos Aires recuou 1,8% e em São Paulo o Ibovespa perdeu 3,6%. A Bolsa do Rio fechou com queda de 4,1%.
Na Coréia do Sul, a vitória da oposição nas eleições presidenciais foi o principal motivo apontado para o novo surto. Investidores locais temem que o novo governo mude a política financeira, apesar dos desmentidos do presidente eleito Kim Dae-jung. A Coréia também ajudou a deteriorar as expectativas em Tóquio. Mas, ao que tudo indica, no Japão, o motivo mais forte continua sendo a desconfiança em relação ao pacote fiscal e de endividamento público para reativar a economia japonesa.
O iene continua perdendo frente ao dólar, apesar das intervenções do BC. Além disso, a Bolsa de Tóquio foi negativamente influenciada pela falência da Toshoku Ltd., empresa de grande porte do setor alimentício.
As demais bolsas do Sudeste Asiático acompanharam o Japão e a Coréia, caíram todas, com exceção da Bolsa das Filipinas, que fechou positiva em 0,7%. Na sequência, as bolsas européias reforçaram a expectativa de nova onda de nervosismo nos mercados ocidentais. Londres caiu 2,8%, Frankfurt, 1,9%, e Paris, 2,4%.
No BrasilÉ a Ásia de novo, comentava ontem à tarde um desanimado operador do mercado financeiro, que a essa altura via a Bolsa de São Paulo despencar 6%, no pior momento do dia, seguindo o pessimismo que havia derrubado os mercados europeus e fazia o de Nova York cair 2,5%.
A quebra de uma das maiores empresas do setor de alimentos do Japão e resultados ruins de empresas norte-americanas com forte presença na Ásia, como a Nike, foram os fatos mais relevantes. Para o mercado, eles têm um significado bastante específico: a crise que teve início no sistema financeiro começa a fazer vítimas no que os analistas chamam de setor real da economia, reduzindo os lucros e por consequência o valor de mercado das empresas, realimentando assim os problemas dos bancos e corretoras.
Logo no início da tarde o mundo real decidiu contra-atacar: a General Electric, a maior corporação do mundo, anunciou que está disposta a recomprar suas ações, para evitar que as cotações continuem caindo. Foi como um jato dágua no incêndio que atingia as Bolsas. A de Nova York reduziu sua queda de 2% para 1%, o que fez as ações na Bolsa de São Paulo também se recuperarem um pouco e fecharem com queda de 3,62%. Os papéis brasileiros negociados no mercado nova-iorquino também sentiram os efeitos dessa nova rodada de turbulência.
Os títulos da dívida brasileira do tipo C-bond, que indicam a confiança dos investidores estrangeiros na economia brasileira, encerraram o dia com desvalorização de 4%.


