Bolsas voltam a cair em todo o mundo
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quinta-feira, 01 de outubro de 1998
Agência Estado 
As bolsas de valores voltaram a ter um dia de fortes e generalizadas perdas em todo o mundo. Da Ásia à Europa e aos Estados Unidos, cada um dos mercados reagiu com queda a alguns fatores específicos a cada um deles, mas o pano de fundo para o mergulho foi o sentimento de retração pelo agravamento da crise internacional. A Bolsa de São Paulo não foi exceção e começou o mês com baixa de 9,60%, movimentando apenas R$ 310,235 milhões. Na Bolsa Rio, queda foi de 9,1%.
Além de seguir a movimentação das Bolsas mundiais, o mercado doméstico de ações trabalhou ontem em clima de expectativa com as eleições de domingo e as medidas econômicas que devem ficar mais claras na próxima semana, quando ocorre também a reunião anual conjunta do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BID, em Washington.
A expectativa é que nessa reunião seja definido um pacote de socorro financeiro, bancado pelos países mais ricos e pelo FMI, que seria utilizado pelo País em caso de necessidade. A idéia é que um acordo desses e um forte ajuste fiscal poderiam restaurar a credibilidade no País.
A maior parte das Bolsas internacionais foi fortemente atingida ontem por um sentimento de incerteza generalizado em relação ao futuro dos mercados. Os maiores estragos aconteceram na Europa, onde as Bolsas aparentemente reagiam às perdas de ontem na Bolsa de Nova York, na madrugada em Tóquio (-1,6%) e à forte queda do dólar em relação ao marco e ao iene.
Operadores em praticamente toda a região citaram o relatório do FMI, divulgado ontem com revisão em baixa de suas previsões de desaceleração na economia mundial, como o grande estopim da queda generalizada nas Bolsas. O mesmo motivo que puxou a Bolsa de Nova York ontem para baixo.
As perdas nas Bolsas européias foram lideradas pela Bolsa de Frankfurt, que além de reagir ao relatório do FMI, demonstrou decepção com a atitude do Bundesbank (BC) de manter suas principais taxas de juros inalteradas na reunião de seu conselho realizada ontem. O conselho do BC francês também arbitrou por manter os juros inalterados ontem. As Bolsas ibéricas foram pressionadas ainda por preocupações em relação a seus investimentos na América Latina.
A Bolsa de Madri fechou em queda de 7,1%, enquanto Lisboa perdeu 8,6%, registrando sua maior baixa percentual em um dia. A Bolsa de Frankfurt fechou com o índice DAX em queda de 5,5% e o Xetra DAX em baixa de 7,6%. A Bolsa de Paris perdeu 5% e Londres caiu 3,1%.
Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones, que ontem havia registrado sua 8ª maior queda em pontos de todos os tempos, teve ontem sua 11ª maior baixa, recuando 210 pontos (2,68%). O índice Nasdaq, concentrado em ações de tecnologia, teve sua 4ª maior queda em pontos. Os oito índices que compõem o Nasdaq fecharam em queda, sete deles com declínios maiores do que 3%. Novamente, os investidores venderam ações para buscar refúgio seguro nos títulos do Tesouro dos EUA. O juro projetado pelos T-bonds de 30 anos caiu a níveis históricos, abaixo de 4,9% ao ano.


