Bolsas terão período de instabilidade
Bolsas terão período de instabilidade
Agência Estado
A proximidade de privatização do sistema Telebrás tende a alimentar forte instabilidade nos pregões das Bolsas de Valores. As prováveis idas e vindas em torno da venda da estatal, provocadas entre outros motivos pelas liminares contra a privatização, podem provocar bruscos solavancos nos preços do papel e, por tabela, nas bolsas, porque a ação da Telebrás é, de longe, a mais negociada no mercado. Um quadro em que a bolsa pode subir muito ou cair muito, diz Alfredo Moraes, vice-presidente-financeiro do Banco ABC Brasil.
Ele identifica como outro fator de possível turbulência e de fortes emoções no mercado de ações a elevada valorização do índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York. O risco, após as contínuas altas, é que os investidores aproveitem o momento para vender ações e embolsar lucros. Moraes não associa as possíveis vendas com os juros norte-americanos ou a crise nos países da Ásia. Segundo ele, está afastada a possibilidade de reajuste dos juros básicos pelo Fed (o banco central dos EUA) amanhã e o colapso dos países asiáticos tende a ficar circunscrito à região.
Os países que merecem preocupação, nessa região, são o Japão e a China, mais este do que o primeiro, aponta Moraes. O Japão tem a tradição de seguir as regras econômicas internacionais, o que não ocorre com a China, cuja conduta é imprevisível. A análise embute claro temor com uma desvalorização da moeda chinesa, que tumultuaria o mercado.
Ele reconhece que a economia dos EUA está aquecida, mas não acredita que o Fed venha a elevar os juros para conter o crescimento da atividade.
Fatores domésticos relacionados à privatização de Telebrás e internacionais, associados a uma perspectiva de acentuada baixa do mercado de ações em Nova York, tornam a compra de ações, no momento, um investimento de alto risco. Pode ser uma oportunidade interessante para o investidor que quer emoções fortes, mas não para o tradicional.
A opção ao risco das ações está na segurança das aplicações de renda fixa, que continuam tirando proveito das elevadas taxas reais de juros.





