Bolsas sentem a instabilidade externa
As Bolsas de Valores chegam à última semana de agosto sem perspectiva de definição de tendência. Mesmo após o exercício de opções, ocorrido no dia 18, a instabilidade persiste nos mercados de ações. Em agosto, as Bolsas de São Paulo e do Rio de Janeiro estão amargando perdas significativas: 13,32% e 14,10%, respectivamente.
O clima de indefinição nos mercados internacionais contribui para aumentar as incertezas nas Bolsas brasileiras. Na sexta-feira, os juros dos títulos norte-americanos de 30 anos (T-Bonds) avançaram fortemente, derrubando a Bolsa de Nova York e as cotações do dólar. O temor de que o Bundesbank (banco central alemão) eleve os juros foi um dos fatores que provocaram inquietação e nervosismo no mercado.
Além disso, a divulgação das minutas da reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), realizada no dia 19, também preocupou os investidores. Ainda que os juros não tenham sido elevados, as informações divulgadas sugeriram, na avaliação de especialistas, que é possível que ocorra uma alta das taxas num futuro não muito distante. A elevação dos juros norte-americanos costuma prejudicar as Bolsas de todo o mundo, pois o dinheiro aplicado em ações tende a migrar para títulos de renda fixa dos Estados Unidos.
O diretor de Administração de Recursos do Banco Patrimônio, Fábio Vidigal, acredita que as ações de empresas estatais devem seguir apresentando grande instabilidade até o fim do ano, a exemplo do que vem ocorrendo neste mês. Essas ações têm forte peso na composição do Índice Bovespa (IBovespa), que mede a variação dos 47 papéis mais negociados na Bolsa de São Paulo.
Para ele, algumas ações de segunda linha, como as de empresas do setor de bens de capital, papel e celulose e petroquímico, apresentam bom potencial de valorização até o fim do ano.
Apesar dos possíveis sobressaltos das Bolsas, Vidigal diz que o investimento em ações é um ótimo negócio, desde que seja feito com perspectiva de longo prazo e as ações sejam bem escolhidas pelo gestor do dinheiro.
Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve, pela sexta vez consecutiva, a TBC e a TBAN (piso e teto do juro, pela ordem) em 1,58% e 1,78%. Para Vidigal, não deve haver alteração dessas taxas nos próximos meses. Com isso, tudo indica que o ganho real de aplicações de renda fixa (CDBs, fundos de 30 e de 60 dias, caderneta de poupança) será elevado até o fim do ano, pois a inflação tende a ficar abaixo de 0,5% ao mês nesse período.





