Bolsas retomam ingresso de capital
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sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Agência Folha 
O resultado da entrada e saída de investimentos estrangeiros nas Bolsas brasileiras voltou a ficar positivo em outubro, com saldo de US$ 92,03 milhões, segundo o balanço divulgado ontem pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Outubro foi o primeiro mês, desde julho, em que a CVM registrou saldo positivo no fluxo de recursos ao País pelo chamado Anexo 4, a resolução do Conselho Monetário Nacional que regulamenta a entrada e saída de recursos estrangeiros aplicados em Bolsas brasileiras.
No mês passado, a entrada desses investimentos foi de US$ 1,195 bilhão, e a saída, de US$ 1,103 bilhão. O déficit acumulado de janeiro até outubro é de US$ 1,811 bilhão. Em setembro, o saldo tinha ficado negativo em US$ 1,735 bilhão; em agosto, ainda pior: US$ 2,181 bilhões. Segundo o economista-chefe do banco Santander, Dany Rapaport, esse pequeno saldo positivo em outubro já reflete o aumento de confiança do investidor estrangeiro no país. No final de outubro, havia uma melhora na expectativa em relação à ajuda do FMI (Fundo Monetário Internacional) ao Brasil e ao ajuste fiscal.
Rapaport lembrou, no entanto, que essa volta do estrangeiro às Bolsas brasileiras também se deve à procura por ações que estariam com preço bastante baixo. Para o economista Roberto Padovani, da Tendência Consultoria, o interessante do resultado de outubro do Anexo 4 é uma reversão do
pânico. Já para a economista Luciana Fagundes, do banco Lloyds, esse pequeno saldo positivo representa apenas um período de calmaria. Ela explica que esse saldo positivo do Anexo 4 em outubro está sendo sentido no início de novembro pela queda na saída diária de dólares pelo câmbio flutuante. A Bolsa (onde entram os recursos via Anexo 4) sentiu primeiro essa melhora. A média de saída diária pelo flutuante em novembro está agora em menos US$ 10 milhões. Na segunda quinzena de outubro, estava em menos US$ 210 milhões.
O saldo de investimentos via Anexo 4 teve dois momentos críticos este ano. O primeiro foi de maio a junho, época do agravamento da crise da Rússia. O segundo foi registrado em agosto e setembro. Segundo a economista do Lloyds, naquele momento, a crise anteriormente restrita aos países emergentes começou a contaminar mercados mais sólidos como o europeu e o dos EUA.
A CVM também divulgou ontem que 95,94% do fluxo de investimentos estrangeiros que entrou no país via Anexo 4 se destinou a aplicações em ações. Outros 3,37% foram para investimentos no mercado de derivativos, e 1,11%, em debêntures (títulos que rendem juros).


