O resultado da entrada e saída de investimentos estrangeiros nas Bolsas brasileiras voltou a ficar positivo em outubro, com saldo de US$ 92,03 milhões, segundo o balanço divulgado ontem pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Outubro foi o primeiro mês, desde julho, em que a CVM registrou saldo positivo no fluxo de recursos ao País pelo chamado Anexo 4, a resolução do Conselho Monetário Nacional que regulamenta a entrada e saída de recursos estrangeiros aplicados em Bolsas brasileiras.
No mês passado, a entrada desses investimentos foi de US$ 1,195 bilhão, e a saída, de US$ 1,103 bilhão. O déficit acumulado de janeiro até outubro é de US$ 1,811 bilhão. Em setembro, o saldo tinha ficado negativo em US$ 1,735 bilhão; em agosto, ainda pior: US$ 2,181 bilhões. Segundo o economista-chefe do banco Santander, Dany Rapaport, esse pequeno saldo positivo em outubro já reflete o aumento de confiança do investidor estrangeiro no país. ‘‘No final de outubro, havia uma melhora na expectativa em relação à ajuda do FMI (Fundo Monetário Internacional) ao Brasil e ao ajuste fiscal.’’
Rapaport lembrou, no entanto, que essa volta do estrangeiro às Bolsas brasileiras também se deve à procura por ações que estariam com preço bastante baixo. Para o economista Roberto Padovani, da Tendência Consultoria, o interessante do resultado de outubro do Anexo 4 é uma ‘‘reversão do
pânico’’. Já para a economista Luciana Fagundes, do banco Lloyds, esse pequeno saldo positivo representa apenas um ‘‘período de calmaria’’. Ela explica que esse saldo positivo do Anexo 4 em outubro está sendo sentido no início de novembro pela queda na saída diária de dólares pelo câmbio flutuante. ‘‘A Bolsa (onde entram os recursos via Anexo 4) sentiu primeiro essa melhora. A média de saída diária pelo flutuante em novembro está agora em menos US$ 10 milhões. Na segunda quinzena de outubro, estava em menos US$ 210 milhões.’’
O saldo de investimentos via Anexo 4 teve dois momentos críticos este ano. O primeiro foi de maio a junho, época do agravamento da crise da Rússia. O segundo foi registrado em agosto e setembro. Segundo a economista do Lloyds, naquele momento, a crise anteriormente restrita aos países emergentes começou a contaminar mercados mais sólidos como o europeu e o dos EUA.
A CVM também divulgou ontem que 95,94% do fluxo de investimentos estrangeiros que entrou no país via Anexo 4 se destinou a aplicações em ações. Outros 3,37% foram para investimentos no mercado de derivativos, e 1,11%, em debêntures (títulos que rendem juros).

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