Arquivo FolhaBoas notíciasOperadores acompanham cotações na Bolsa de Tóquio: mercado otimista em relação ao JapãoDepois de várias semanas de incertezas, as perspectivas para as Bolsas de Valores começam a melhorar. No cenário externo, a situação do Japão e da Rússia, ainda que não esteja resolvida, parece ao menos estar sob controle. Internamente, a recente recuperação do presidente Fernando Henrique Cardoso nas pesquisas eleitorais e a expectativa positiva em relação ao leilão de venda do sistema Telebrás, marcado para o dia 29, tendem a beneficiar os mercados de ações.
O diretor de Investimentos do Banco Francês e Brasileiro (BFB), Alexandre Zakia Albert, diz que ainda é prematuro falar em tendência consolidada de alta das Bolsas, mas ele entende que, se a calmaria no cenário externo e no interno continuar, os mercados de ações podem retomar a trajetória de valorização. A consolidação desse quadro tende a reforçar o fluxo de recursos estrangeiros para as Bolsas domésticas, o que é fundamental para dar sustentação à alta das cotações. Uma vez que o risco de investir em países emergentes diminua, o capital externo deve voltar a procurar os mercados acionários brasileiros, que têm muitas ações a preços atraentes.
Para Zakia Albert, o pacote de socorro financeiro para a Rússia, no valor de US$ 22,6 bilhões, a ser desembolsado pelo FMI e pelo Banco Mundial, deve dar um novo fôlego ao país. Mesmo que os problemas estruturais não sejam resolvidos no curto prazo, a ajuda deve ser suficiente para impedir a desvalorização do rublo e um calote unilateral por parte da Rússia.
O mercado também está mais otimista em relação ao Japão, diz Zakia Albert. Embora ainda não se saiba quem será o novo primeiro-ministro do país, a expectativa é que o indicado para o cargo anuncie medidas contundentes para reativar a atividade econômica e sanear o debilitado sistema financeiro japonês.
No plano interno, se realmente houver a consolidação da liderança do presidente Fernando Henrique Cardoso nas próximas pesquisas de opinião, as Bolsas podem ter alento importante. Os investidores torcem pela vitória de FHC, de preferência ainda no primeiro turno, por entender que ela implica a manutenção dos rumos da atual política econômica.
Outro fator que também pode impulsionar o investimento em ações é a venda do sistema Telebrás, que ocorre na semana que vem, afirma Zakia Albert. Se o leilão for bem-sucedido, ou seja, se o valor obtido superar com folga o preço mínimo estabelecido pelo governo, deve haver uma forte entrada de dólares no País. Isso indica a manutenção do interesse do investidor estrangeiro pelo Brasil.
A trajetória de queda dos juros também tende a beneficiar as Bolsas, embora o recuo que o governo venha promovendo nas taxas a cada mês seja modesto. Segundo o diretor do BFB, o mercado estima que, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para o dia 29, a Taxa Básica do Banco Central (TBC), o piso dos juros da economia, recue dos atuais 21% ao ano para 20% ou 20,5%. A queda não é significativa, mas ao menos indica a tendência.
No entanto, as boas perspectivas para as Bolsas e a trajetória cadente dos juros não são motivos para o investidor considerar as aplicações de renda fixa má opção. Zakia Albert ressalta que as taxas reais (acima da inflação) pagas por fundos e CDBs permanecem elevadas. Os índices inflacionários devem fechar o ano entre 2,5% e 3%, enquanto a TBC está em 21% ao ano.

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