Bolsas perderam US$ 2 trilhões na crise
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sexta-feira, 12 de dezembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
A Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) avaliou ontem em US$ 2 trilhões a perda do valor de mercado das ações negociadas nas bolsas mundiais, por conta da crise asiática. Em estudo divulgado durante o seminário O Impacto do Ajuste Externo nas Mudanças Estruturais de Longo Prazo, realizado no auditório do Banco Central em São Paulo, a entidade avalia que esse valor de mercado caiu de US$ 20,3 trilhões em dezembro de 96 para US$ 18,3 trilhões atualmente.
As bolsas dos mercados emergentes foram as mais afetadas pela crise, destacou a Sobeet. A capitalização de mercados dos países emergentes chegou ao pico de 12,66% do total em 1994, caindo para 10,86% em 1995 e recuperando em parte a posição em 1996 com 11,03%. A Sobeet avalia que essa participação tenha-se reduzido agora para 9%.
O Brasil aumentou a participação relativa no valor de mercado de todas as bolsas emergentes de 7,64% em 1994 para 9,75% em 1996 e 11,82% ao final de novembro último. Com a participação do Brasil no valor de mercado de todas as bolsas mundiais, praticamente ficou inalterada quando o parâmetro é o fim do ano passado: de 1,08% em dezembro de 1996 para 1,07% ao final de novembro passado.
Para o presidente da Sobeet, Pedro da Motta Veiga, a crise afetou a economia mundial, mas ainda assim, entre os países emergentes o Brasil aumentou seu peso relativo do ponto de vista de valores de mercado de suas empresas, comparativamente ao final de 1996. Segundo Veiga, isso se explica pelo índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ter praticamente duplicado nos primeiros sete meses do ano.
A forte queda dos últimos meses apenas reduziu o crescimento, mas ainda assim continua bastante elevado. Segundo o IFC (braço privado do Banco Mundial), o valor de mercado das empresas de todos os chamados países emergentes é de US$ 2,2 trilhões. Esses mercados de maior risco e mais voláteis são bastante vulneráveis aos caçadores de disfunções macroeconômicas e foram os que tiveram maior perda de recursos, disse Veiga.
Na avaliação do presidente da Sobeet, o Brasil mantém sua competitividade na atração de investimentos internacionais diretos, ainda que o fluxo desses recursos sofra redução devido à crise que afeta seus concorrentes asiáticos. Ele ressaltou que o ranking mundial de atração do capital estrangeiro direto não se alterou com a crise asiática, ficando a China em primeiro lugar e o Brasil em segundo. Já o fluxo de recursos especulativos no mercado financeiro, deve ter mundança significativa, sendo que o capital deve voltar para portos mais seguros como os Estados Unidos.


