Bolsas mundiais discutem fusão
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domingo, 15 de outubro de 2006
Folhapress 
São Paulo - Representantes das Bolsas de Valores norte-americanas, européias e asiáticas e membros da Federação Mundial de Bolsas estão desde ontem em São Paulo onde, até amanhã, discutem temas relacionados às normas internas aos processos de fusão de grandes pregões, como o da Bolsa de Valores de Nova Iorque e a Euronext européia.
O Brasil sedia pela segunda vez o evento, que está na 47edição. Em 1978, a reunião também ocorreu no país. Desta vez, ela será sediada pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
A associação reúne pregões onde são negociados papéis cujo valor de mercado conjunto chega a US$ 45 trilhões. Para ter uma idéia, o Produto Interno Bruto (PIB, soma do valor final de todos os bens e serviços produzidos na economia em um ano) dos Estados Unidos é de pouco mais de US$ 13 trilhões. Ou seja, o valor total dos papéis equivale a 3,5 vezes o PIB dos Estados Unidos.
Cristiane Pereira, diretora de Relações Internacionais da Bovespa, lembra que, além de assuntos de interesse mais restrito para as instituições que fazem parte da federação - como normas e aprovação de novos membros -, o encontro na capital paulista servirá para discutir tendências do mercado mundial de capitais, bem como para apresentar o Brasil aos representantes das maiores Bolsas mundiais.
Ontem, falaram aos participantes do evento o ministro Guido Mantega (Fazenda), o secretário Carlos Kawall (Tesouro Nacional) e Marcelo Trindade, presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Na pauta - ''As Bolsas, em geral, são únicas em cada mercado, ou muito pouco semelhantes. O encontro serve para trocar experiências, para definir melhores práticas'', diz Cristina.
A conjuntura do mercado internacional de capitais fica de fora das discussões. ''A preocupação é muito mais de como o mercado está organizado'', afirma a diretora da Bovespa.
Entre os temas a serem discutidos está a tendência de fusão das Bolsas pelo mundo, com o possível surgimento de instituições multinacionais. Se para parte dos analistas é uma tendência, para outra é improvável que um mercado transnacional de Bolsas possa atender às necessidades de mercados locais.
Regulamentos, culturas e necessidades distintas seriam os fatores que indicam para a sobrevivência de Bolsas nacionais. Na prática, o número de pregões pelo mundo tem caído - em vários países as Bolsas se fundiram para enfrentar a concorrência de mercados gigantes, como os de Nova Iorque.
A própria Bovespa negocia acordo, por exemplo, com a Bolsa de Valores mexicana. Os brasileiros se preparam para finalizar um acordo que permitirá aos investidores brasileiros comprar papéis do México por meio de corretores daqui. O mesmo ocorrerá com investidores mexicanos que quiserem comprar ações de empresas brasileiras.
O acordo facilitaria a entrada de investidores mexicanos no Brasil, ao mesmo tempo em que tornaria mais fácil o ingresso de investimento de brasileiros no mercado acionário do México.


