Bolsas lideram aplicações em janeiro
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - O mercado de ações encerrou janeiro liderando o ranking dos investimentos. A Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ) acumulou no mês passado valorização de 15,02%, enquanto a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu 13,14%. Esses resultados superaram com grande margem de diferença a rentabilidade do CDB prefixado para grandes quantias - a melhor aplicação no segmento de renda fixa -, que garantiu um rendimento líquido de apenas 1,47%.
Pelo menos diante da inflação medida pelo IGP-M em janeiro, que ficou em 1,77%, com exceção das Bolsas, nenhum outro investimento apresentou ganho real. O bom desempenho do mercado de ações esteve relacionado com uma participação mais expressiva dos investidores estrangeiros nos pregões. Para se ter uma idéia, enquanto em dezembro a Bovespa movimentou uma média de R$ 435 milhões por dia, no mês passado o número foi de R$ 515 milhões, ou 18,4% superior.
O maior ingresso de recursos externos foi influenciado pela expectativa de aprovação da emenda da reeleição, que foi votada em primeiro turno na Câmara na noite de terça-feira. O raciocínio dos investidores estrangeiros é de que, existindo a possibilidade de Fernando Henrique poder se recandidatar às eleições presidenciais de 1998, na hipótese dele ganhar o pleito a condução da política econômica tende a ser mantida, ou pelo menos não deverá sofrer alterações bruscas.
Para fevereiro, no entanto, os analistas estão prevendo que, pelo menos nos 20 primeiros dias, as Bolsas brasileiras deverão apresentar um comportamento mais instável. Essa avaliação leva em conta um posicionamento mais cauteloso de muitos investidores locais e internacionais nas semanas que antecedem os vencimentos dos contratos de índice futuro, no dia 13, e do exercício de opções, que ocorrerá dia 17 de fevereiro.
Geralmente, esses eventos são acompanhados de fortes disputas entre os investidores que acreditam na alta das Bolsas e os que ganham com a queda dos índices, o que acaba acentuando a instabilidade do mercado acionário.
Dólar e ouro - Embora nenhum investimento, com exceção das Bolsas, tenha apresentado ganho real (acima da inflação), o dólar negociado no mercado paralelo e o ouro destacaram-se como as piores opções de aplicação em janeiro. Enquanto o black registrou uma queda de 3,13%, o preço do grama do ouro caiu 6,59%. No caso do primeiro, a baixa já esperada por conta da forte alta registrada em dezembro, mês em que muitos investidores e empresas compram dólares no mercado negro para driblar o Fisco. A queda do ouro, por sua vez, esteve relacionada com o recuo do preço do metal no mercado internacional.
De acordo com analistas, esses dois ativos são contra-indicados como opções de investimento. Eles salientam que, embora as cotações possam vir a subir um pouco em alguns dias - provavelmente por conta de uma procura um pouco mais acentuada -, a tendência é de relativa estabilidade.


