Bolsas foram a melhor opção do ano
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terça-feira, 31 de dezembro de 1996
Agência Estado de São Paulo 
O investimento em ações fechou 1996 como o grande destaque do mercado financeiro. No período, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) avançou 63,76%, enquanto a do Rio subiu 59,74%. A valorização expressiva das ações de estatais, como Telebrás, Eletrobrás e Petrobrás, é a principal explicação para o desempenho das Bolsas. Essas empresas tiveram forte expansão da lucratividade este ano, por conta do reajuste das tarifas. Além disso, há perspectiva de privatização de algumas delas.
Embora os juros tenham caído bastante este ano em relação a 1995, as aplicações de renda fixa continuaram oferecendo rendimento acima da inflação - em 1996, o IGP-M da FGV foi de 9,20%. Os CDBs para quantias superiores a R$ 100 mil renderam, em média, 22,46%. Os fundos de 60 dias ficaram logo atrás, com rendimento de 20,99%.
A caderneta, no ano, teve desempenho pior que o de outras aplicações da renda fixa, acumulando valorização de 16,34%, e isso porque o reforço no seu rendimento só ocorreu no segundo semestre. Em dezembro, a poupança foi a melhor aplicação para o prazo de 30 dias. Em janeiro, porém, o redutor subirá de 0,85% para 0,97%, diminuindo um pouco o rendimento da caderneta.
O dólar paralelo registrou alta de 12% no ano. As restrições impostas pelo governo este ano às transações pelo mercado flutuante aumentaram a demanda pelo black. E, no fim do ano, há um fator conjuntural: muitas empresas e pessoas físicas compram dólares para driblar o fisco na passagem para 1997. No entanto, a tendência é de que as cotações recuem no início do ano que vem.
Já ativos reais como telefone, carro e imóvel tiveram mau desempenho em 1996, confirmando a tendência de deixar de ser investimento depois do Real. O preço das linhas telefônicas caiu 19,59% na capital paulista, segundo pesquisa do InformEstado. A queda foi provocada principalmente pelas notícias de privatização do setor de telecomunicações e pelo aumento de oferta com o Plano de Expansão da Telesp. No caso de carro, o preço de usados teve desvalorização média de 0,04%, de acordo com pesquisa do InformEstado. No mercado imobiliário, os preços acompanharam a inflação. A valorização média de imóveis residenciais ficou entre 9% e 10%, segundo o Secovi, o sindicato da habitação.
Em dezembro, as Bolsas também foram o melhor investimento. O mercado carioca teve valorização de 6,05% e o paulista, de 5,61%. O dólar paralelo apareceu em terceiro lugar, com alta de 2,28%, por conta da maior procura da moeda por parte de empresas e pessoas que querem driblar a Receita Federal na passagem do ano.
A expectativa para as Bolsas de Valores em 1997 é bastante positiva, segundo o diretor de investimentos do Citibank, Luís Eduardo de Assis. Ele lembra que há boas perspectivas para o setor de energia elétrica e de telecomunicações. Assis aponta ainda a provável aprovação da emenda da reeleição e a perspectiva de privatização da Companhia Vale do Rio Doce como pontos positivos para os mercados acionários. E, como o nível de atividade da economia está mais aquecido, o lucro das empresas deve melhorar. Segundo ele, as Bolsas podem subir tanto quanto em 1996.
A grande incógnita é se o investimento em Bolsa terá de pagar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A regulamentação da cobrança do tributo deverá ser divulgada somente na semana que vem. O mercado teme que, se as operações com ações não ficarem isentas da CPMF, os investidores passem a negociar as ações brasileiras na Bolsa de Nova York, por meio de American Depositary Receipts (recibos lastreados nos papéis das empresas), pois o custo seria bem inferior.
Na renda fixa, a tendência é de continuidade da queda gradual dos juros. A CPMF vai prejudicar principalmente os CDBs de 30 dias e fundos de curto prazo. Fundos de 30 e 60 dias, além da caderneta, tendem a ser as melhores opções nesse segmento.
O dólar deve continuar opção contra-indicada, uma vez que é muito improvável que o governo altere a política cambial. Tudo indica que o real continuará sobrevalorizado em relação à moeda norte-americana.


