Andrew Hill
de Nova York
Os afluentes norte-americanos da geração pós-Segunda Guerra – conhecida nos Estados Unidos como ‘‘baby-boom’’ – já não se preocupam tanto com a alta da inflação e com a perda de seus empregos.
Quase todos antecipam uma aposentadoria confortável, baseada em seus ganhos nas Bolsas, de acordo com uma pesquisa publicada na quarta-feira.
Do cantor Bruce Springsteen, passando pelo empresário Bill Gates e pelo presidente Bill Clinton, os norte-americanos nascidos entre 1946 e 1964 ajudaram a dar forma à economia de seu país nos anos 90.
Seus hábitos de gasto e poupança passaram a sofrer pesquisas cada vez mais intensas.
Alguns deles querem parar de trabalhar em 2004, quando fizerem 58 anos, de acordo com uma pesquisa sobre o 1% mais próspero entre os membros da geração ‘‘baby-boom’’, realizada pela empresa de administração de investimentos US Trust.
A confiança da parte mais rica da geração ‘‘baby-boom’’ quanto ao futuro se baseia parcialmente no mercado muito favorável às ações norte-americanas, de acordo com a pesquisa.
Aqueles que se beneficiaram da alta das Bolsas nos anos 90 continuam a esperar retornos de cerca de 12% sobre seus investimentos em ações ao longo dos próximos dez anos, acima da média histórica, e mais de dois terços deles acreditam que a alta nas Bolsas durará pelo menos mais 12 meses.
Mas eles continuam sob o domínio de um vago medo de que os bons tempos talvez não durem e de que seus filhos talvez não tenham a mesma sorte que eles tiveram. Essas preocupações substituíram as preocupações quanto a aumentos de impostos e falta de segurança no emprego, que estavam entre os principais resultados da pesquisa semelhante feita pela US Trust alguns anos atrás.
‘‘Eles estão se perguntando se por acaso não mimaram demais os seus filhos’’, diz Jeffrey Maurer, presidente da US Trust.
Analistas advertem que as duas décadas de alta no número de nascimentos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial podem representar problemas para os mercados e a economia no começo do século 21. Se as pessoas que se aposentarem decidirem liquidar seus investimentos em Bolsa, a fim de manter o estilo de vida ao qual se acostumaram, o vigor da Bolsa norte-americana poderá sofrer impacto.
Mas a pesquisa aponta, para sossego dos norte-americanos, que três quartos dessa geração pretendem continuar trabalhando depois da aposentadoria.

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