Antonio Scorza/AFPInconsolávelOperador é confortado por um colega na Bolsa do Rio, ontem: no final do dia, houve recuperação Três minutos foram suficientes para mostrar que o mercado acionário brasileiro poderia sucumbir a uma catástrofe ontem. As bolsas de valores suspenderam o pregão quando, às 12h33, a queda passava dos 10% na Bolsa de São Paulo (Bovespa) e dos 6% na Bolsa do Rio (BVRJ). Foi uma medida emergencial, nos moldes do ‘‘circuit breaker’’ da Bolsa de Nova York, para acalmar os operadores e evitar uma baixa astronômica. No fim, após altíssimas oscilações durante toda a tarde, definiu-se um quadro reconfortante: o pregão paulista fechou com alta de 6,43%, e o do Rio, com alta de 4,96%.
O nervosismo tomava conta dos operadores antes mesmo do pregão. A abertura das bolsas brasileiras foi atrasada para as 12h30, para adaptar o movimento à suspensão dos negócios com títulos ADR (American Depositary Receipts) no mercado de balcão norte-americano. Na Bovespa, o tempo de espera serviu para concentrar a tensão do lado de fora do prédio. Tão logo começaram as negociações, os operadores entraram em pânico, com ordens para vender ações já nos segundos iniciais.
O período de paralisação durou uma hora e deu tempo para que um fator atenuasse o desespero. O Índice Dow Jones da bolsa novaiorquina (que tem fortíssima influência sobre os mercados do Brasil e Argentina) reverteu a queda e passou a operar em alta. Ainda assim, a reabertura dos negócios na Bovespa foi dramática. Um aglomerado de operadores movia-se aos empurrões na área do pregão, ainda com ordens de venda. O aglomerado fazia um movimento de ‘‘pinball’’, ‘‘ricocheteando’’ pelos cantos do pregão.
À medida que a Bolsa de Nova York sustentava a sua alta, o mercado foi conseguindo baixar a tensão e começou a se recuperar. A Bovespa subiu a 5,93% às 16 horas e, no fim da tarde, passou a oscilar em torno de zero. A partir das 17 horas o índice começou a subir com mais consistência, até chegar aos 6,43% no fechamento.
No pregão da Bolsa do Rio, os operadores ficaram de olho nas operações da bolsa paulista, de onde vem a maior parte ordens de compra. Também na BVRJ a suspensão do pregão não eliminou o nervosismo, que só diminuiu quando a Bovespa começou a acompanhar o movimento de Nova York. Às 15h36 foi registrada a primeira alta, de 0,1%.
‘‘Hoje foi o pior dia desde que comecei a trabalhar na bolsa’’, disse o operador de pregão do Banco Fonte Cindam, Amarildo Marquez, há 16 anos na BVRJ. ‘‘Pior por causa da expectativa’’, explicou.
Para José Gonçalves, do Banco Indusval, a espera pelas ordens de compra que viriam de São Paulo não era menos angustiante. ‘‘Todo mundo está rezando para chegar as 18h30 (horário de fechamento do pregão hoje)’’, disse. Segundo ele, a maior preocupação era com as ações da Telebrás, negociadas na bolsa de Nova York.
Ontem o presidente da CVM, Francisco da Costa e Silva, anunciou que, a partir de dezembro, as bolsas brasileiras passarão a trabalhar com o sistema de circuit breaker. Em português claro, trata-se de um mecanismo que será acionado sempre que a cotação de qualquer ação atingir determinado preço.

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