As Bolsas de Valores entraram no período altamente especulativo que tradicionalmente precede as festas de final de ano. Quem tinha de ganhar dinheiro com ações em 96 já o fez - só o Ibovespa, índice da Bolsa de Valores de São Paulo, variou 61,48% até sexta-feira passada - e agora descansa tranquilo, só pensando nos papéis que serão destaque em 97.
Nesse ritmo de fim de festa, o melhor a fazer é deixar as ‘‘blue chips’’ um pouco de lado e procurar oportunidades de retorno mais de longo prazo. As ações das Indústrias Klabin, maior produtora integrada de papel e
celulose do País, têm sido lembradas pelos analistas de investimentos como uma boa opção para quem tem paciência e quer diversificar a carteira. A empresa produz da matéria-prima (a celulose) ao papel sanitário de luxo, do papelão ao papel de embalagem. Também fabrica o papel usado pelos jornais.
São quatro fábricas de celulose, dez de papel e 13 de produtos derivados. No conjunto, a Klabin tem capacidade para produzir 1,15 milhão de toneladas anuais. Líder nos diversos setores em que atua, a empresa não teve um ano dos melhores. Seus resultados globais encolheram e suas ações tiveram um desempenho pífio nas Bolsas. Por isso mesmo, estão numa faixa de preço atraente e devem recuperar o fôlego a partir do segundo semestre de 97, prevêem analistas.
‘‘É uma boa ação para quem quer apostar na alta dos preços da celulose e no ciclo de crescimento interno do País’’, diz Pedro Martins, analista do Banco Patrimônio, ligado ao Salomon Brothers. No ano que vem e nos seguintes, a empresa deverá colher os frutos dos investimentos realizados (US$ 450 milhões nos últimos dois anos) e terá maiores lucros com a esperada recuperação do preço da celulose no mercado externo - de onde provêm 17% de suas receitas.
A Klabin beneficia-se do consumo elevado, pois 88% de suas vendas acabam na casa dos consumidores, na forma de papel higiênico, guardanapos ou jornal (37%) ou embalando produtos como eletrodomésticos e alimentos (51%). ‘‘Se a economia continuar aquecida e a população continuar consumindo, a Klabin vai sair ganhando em 97’’, aposta Graça Paiva, gerente do Banco
Boavista.
Mesmo que venha um freio no consumo no primeiro semestre do ano que vem, a economia do País deverá crescer de 4% a 5%, o que não é pouco. Outro fator de estímulo para a empresa, no longo prazo, é o fim do ciclo de baixa dos preços internacionais da celulose. A matéria-prima despencou de quase US$ 1.000 por tonelada no final de 95 para até US$ 425 em maio, situando-se hoje em torno de US$ 500. A retomada das cotações deverá ocorrer na segunda metade do ano que vem e chegar ao pico em 1988, prevê Martins.
O Patrimônio prevê que os lucros líquidos (após impostos) da Klabin serão crescentes: US$ 78 milhões em 96, US$ 101 milhões em 97 e US$ 139 milhões em 98. Em 95, a empresa lucrou US 90 milhões e neste ano, até setembro, fechou com resultado positivo de US$ 53,6 milhões - 39% menor que em igual período de 95. Diante dos lucros menores, as ações preferenciais (sem direito a voto) da empresa ficaram para trás: valorizaram-se neste ano apenas 6,78% até sexta-feira passada, segundo a Economática.

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