Bolsas estão em ritmo de fim de festa
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segunda-feira, 23 de dezembro de 1996
Agência Folha de São Paulo 
As Bolsas de Valores entraram no período altamente especulativo que tradicionalmente precede as festas de final de ano. Quem tinha de ganhar dinheiro com ações em 96 já o fez - só o Ibovespa, índice da Bolsa de Valores de São Paulo, variou 61,48% até sexta-feira passada - e agora descansa tranquilo, só pensando nos papéis que serão destaque em 97.
Nesse ritmo de fim de festa, o melhor a fazer é deixar as blue chips um pouco de lado e procurar oportunidades de retorno mais de longo prazo. As ações das Indústrias Klabin, maior produtora integrada de papel e
celulose do País, têm sido lembradas pelos analistas de investimentos como uma boa opção para quem tem paciência e quer diversificar a carteira. A empresa produz da matéria-prima (a celulose) ao papel sanitário de luxo, do papelão ao papel de embalagem. Também fabrica o papel usado pelos jornais.
São quatro fábricas de celulose, dez de papel e 13 de produtos derivados. No conjunto, a Klabin tem capacidade para produzir 1,15 milhão de toneladas anuais. Líder nos diversos setores em que atua, a empresa não teve um ano dos melhores. Seus resultados globais encolheram e suas ações tiveram um desempenho pífio nas Bolsas. Por isso mesmo, estão numa faixa de preço atraente e devem recuperar o fôlego a partir do segundo semestre de 97, prevêem analistas.
É uma boa ação para quem quer apostar na alta dos preços da celulose e no ciclo de crescimento interno do País, diz Pedro Martins, analista do Banco Patrimônio, ligado ao Salomon Brothers. No ano que vem e nos seguintes, a empresa deverá colher os frutos dos investimentos realizados (US$ 450 milhões nos últimos dois anos) e terá maiores lucros com a esperada recuperação do preço da celulose no mercado externo - de onde provêm 17% de suas receitas.
A Klabin beneficia-se do consumo elevado, pois 88% de suas vendas acabam na casa dos consumidores, na forma de papel higiênico, guardanapos ou jornal (37%) ou embalando produtos como eletrodomésticos e alimentos (51%). Se a economia continuar aquecida e a população continuar consumindo, a Klabin vai sair ganhando em 97, aposta Graça Paiva, gerente do Banco
Boavista.
Mesmo que venha um freio no consumo no primeiro semestre do ano que vem, a economia do País deverá crescer de 4% a 5%, o que não é pouco. Outro fator de estímulo para a empresa, no longo prazo, é o fim do ciclo de baixa dos preços internacionais da celulose. A matéria-prima despencou de quase US$ 1.000 por tonelada no final de 95 para até US$ 425 em maio, situando-se hoje em torno de US$ 500. A retomada das cotações deverá ocorrer na segunda metade do ano que vem e chegar ao pico em 1988, prevê Martins.
O Patrimônio prevê que os lucros líquidos (após impostos) da Klabin serão crescentes: US$ 78 milhões em 96, US$ 101 milhões em 97 e US$ 139 milhões em 98. Em 95, a empresa lucrou US 90 milhões e neste ano, até setembro, fechou com resultado positivo de US$ 53,6 milhões - 39% menor que em igual período de 95. Diante dos lucros menores, as ações preferenciais (sem direito a voto) da empresa ficaram para trás: valorizaram-se neste ano apenas 6,78% até sexta-feira passada, segundo a Economática.


