O aprofundamento da crise de confiança no Brasil. A crescente saída de reservas do País. O fato de a agência de classificação de risco norte-americana Moodys Investors Services ter rebaixado o ‘‘rating’’ dos três maiores bancos brasileiros e ter colocado seis outras instituições financeiras sob observação. Essa conjunção de fatores negativos provocou um dos dias mais turbulentos e tensos da história recente do mercado acionário brasileiro.
A Bolsa de Valores de São Paulo conseguiu fechar com uma queda de 6,13%, o índice Bovespa a 5.837 pontos. A volatilidade do mercado foi uma das maiores já vistas no pregão: o principal indicador do mercado de ações brasileiro oscilou entre uma máxima de 3,59% de alta a uma mínima de 13,90% de queda.
O Ibovespa oscilou numa faixa de 1.400 pontos. ‘‘Os estrangeiros entraram em pânico: venderam tudo o que podiam, sem nenhum parâmetro e sem sequer olhar para os preços’’, disse um operador. O elevado volume de negócios ontem confirma esse desespero: trocaram de mãos R$ 684,388 milhões, em 10.666 negócios no mercado a vista. A média de agosto superou levemente os 7.500 negócios por dia.
Às 15:28 a direção da Bovespa acionou o circuit breaker pela segunda vez este ano, interrompendo os negócios no pregão por meia hora quando a queda do Ibovespa atingiu 10%. Quando os negócios recomeçaram, a Bovespa retomou sua trajetória de queda, batendo na mínima de 5.354 pontos.
A recuperação parcial antes do fechamento dos negócios foi provocada por um rumor não confirmado de que o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) podem anunciar uma linha de crédito de emergência para os países da América Latina. ‘‘Improvável ou não, esse boato foi suficiente para animar a bolsa ontem; qualquer notícia menos que péssima era bem-recebida’’, disse um operador.
Enquanto a bolsa desabava, os dólares continuavam em fuga. Informações não-oficiais de algumas importantes mesas de operação de câmbio davam conta de que, até as 19:30 de ontem, o saldo líquido do câmbio (entradas menos saídas) era negativo em US$ 2,670 bilhões. Essa saída está dividida, calculam operadores, em US$ 1,035 bilhão no segmento comercial e US$ 1,635 bilhão no flutuante.
Segundo cálculos informais do mercado, nos quatro primeiros dias de setembro, o País já teria perdido mais de US$ 5,5 bilhões. Outras estimativas, mais pessimistas, indicam que teriam migrado para fora do Brasil US$ 6,47 bilhões. ‘‘Se esses números forem confirmados, fica claro que o governo terá de agir rapidamente para estancar essa sangria’’, disse um operador.
No fim da tarde de ontem, as apostas do mercado financeiro variavam desde um endurecimento do controle das entradas e saídas de dólar até uma forte elevação nos juros, passando por medidas de contenção às importações. A expectativa do mercado é que eventuais mudanças podem ser anunciadas ainda neste fim de semana.

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