Bolsas em pânico: melhor remédio é ter calma
Nos últimos dias o noticiário econômico têm se pautado pelo nervosismo verificado nas bolsas de valores em todo o mundo. Este nervosismo é decorrente da possibilidade de um período de recessão nos Estados Unidos provocado pela quebradeira que vem sendo notada no setor imobiliário no país. Como os Estados Unidos são a maior economia do planeta, há quase um consenso de que a maioria dos países que mantém relações comerciais com os EUA, em maior ou menor escala, será afetada.
O nervosismo na bolsa, o sobe e desce do valor das ações, têm deixado os investidores apreensivos. Principalmente os novos investidores que ainda não têm a experiência necessária para manter a calma quando lêem a avalanche de notícias e previsões alarmistas. Segundo os analistas econômicos, o melhor a fazer neste momento é manter a calma.
Para o ex-presidente do Banco Central, o economista Gustavo Loyola, de imediato pode-se prever que a economia brasileira que, segundo previsões, poderia crescer entre 4,5% e 5% este ano, deve ficar mesmo em torno de 4%. ''Ainda não é momento de se alarmar, mas com certeza, em menor escala, o Brasil também sofrerá um pouco'', disse em entrevista à Globo News.
Na avaliação do doutor em Ciências Contábeis pela Faculdade Nacional de Ciências Econômicas da Universidade do Brasil e vice-presidente da Academia Nacional de Economia, Antonio Lopes Sá, ''a crise que a imprensa tem noticiado sobre os graves problemas ocorridos nos Estados Unidos da América do Norte tem, sem dúvida, reflexos na economia mundial. Não há dúvida, entretanto, que a questão deve ser vista a partir do entendimento da realidade'', afirma Lopes Sá.
''Em nossa nação o impacto das bolsas em si terá reflexo muito relativo face à captação de recursos para novos investimentos que dela deflui; ou seja, o crescimento brasileiro ainda não está aferrado ao de ações novas em bolsa. O que poderá, sim, representar alguma influência é o comportamento cambial, mas, também, é preciso ponderar que tanto importações quanto exportações na relação Brasil - Estados Unidos não chega a representar 2% da balança daquele poderoso País. Cautela, sem pessimismo, entendo, deva ser a posição conveniente no exame da questão'', avalia Lopes Sá.
O economista Joelmir Betting ironiza a efervescência do noticiário dizendo que, pelas previsões iniciais ''o mundo econômico iria acabar na terça-feira . Para Betting tudo o que está acontecendo faz parte do jogo: ''vende-se o pânico para faturar o pânico''. ''O pano de fundo está na cara: trata-se de uma crise produzida de caso pensado pela especulação financeira sem fronteira e sem bandeira. Não se trata de choques reais da atividade econômica em geral.
Atividade que pode ser perturbada, mas não paralisada pelo catastrofismo ardiloso dos analistas financeiros e dos jornalistas idem. Até porque pintar cenários pessimistas dá a seus autores enorme credibilidade. O pessimismo, em economia, é sempre levado a sério. O otimismo, não raro, é espancado pela galhofa'', analisa o jornalista.
O presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Ribeiro também não acredita em catástrofe mas vê prejuízo para a economia brasileira. ''Alguns projetos de usinas de cana de açúcar estão parados, o mercado da soja também deve sofrer já que os americanos são grandes compradores. A economia por ser globalizada sofre com todo tipo de boato. Veja o caso da febre aftosa nos rebanhos do Paraná. Quanto prejuízo não foi causado por notícias que hoje se confirmam sem fundamento. Esta agitação nas bolsas vai provocar prejuízos para muita gente'', comenta Ribeiro.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e
Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)





