A expectativa para o mês que se inicia é que as Bolsas de Valores proporcionem boa rentabilidade, embora em pregões de acentuada instabilidade, e as taxas de juros permaneçam em queda, ainda que em ritmo bem menor em comparação com os últimos meses. A previsão é de Eduardo Santalúcia, responsável pela administração do Private Bank do Banco Sudameris. A sugestão de Santalúcia, com base nessa análise, é que o investidor distribua os recursos em aplicações de renda variável e de renda fixa, em maior proporção neste último.
O mercado de ações pode trabalhar sob influência de alguns
fatores domésticos desfavoráveis, como uma possível desarticulação política do governo no Congresso, para a aprovação das reformas econômicas, com a morte do deputado Luís Eduardo Magalhães, líder na Câmara.’’
O cenário externo projeta-se favorável às Bolsas de Valores. A expectativa de elevação dos juros básicos nos Estados Unidos, que derrubou as Bolsas internacionais há uma semana, foi reavaliada. Se o movimento dos juros fosse estimulado pelo aquecimento da economia norte-americana, a alta parece afastada: importantes indicadores divulgados ao longo da semana passada indicam comportamento estável da economia. Não existiriam, portanto, sinais de pressão inflacionária que exigissem uma esticada dos juros para estancá-la. A reunião do Fed (banco central dos Estados Unidos) para definir possível reajuste dos juros está marcada para dia 19.
Ademais, a indicação de Luiz Carlos Mendonça de Barros para o Ministério das Comunicações, para o lugar de Sérgio Motta, outra grande baixa do governo, e a do economista André Lara Resende, para o comando do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), são claro sinal da disposição do governo de cumprir o calendário de privatizações. Uma das principais, a da Telebrás, será concluída em 15 de julho, reafirmou Mendonça de Barros.
O baixo preço das ações de Telebrás é outro fator que pode encorajar compras e sustentar a alta das Bolsas. Santalúcia lembra, contudo, que o investidor estrangeiro precisa ser mais bem informado sobre os papéis da Telebrás no período de transição até a venda. ‘‘É preciso informar claramente que os recibos, já em negociação, consolidam as 22 holdings da Telebrás e não haverá prejuízo, porque, no momento da cisão, o investidor vai receber patrimônio correspondente a essas empresas criadas com a divisão.’’
As Bolsas acenam com valorização, mas o investimento em renda fixa também continua com sedutora rentabilidade, apesar da tendência declinante das taxas de juros. Pelos cálculos de Santalúcia, os juros estão chegando ao piso mínimo, depois dos acentuados cortes promovidos pelo Banco Central em março e abril. ‘‘Não ocorrerão mais fortes quedas dos juros’’, afirma, estimando que 21% ao ano seria o piso-limite. A dúvida é saber em que ritmo o BC vai administrar o recuo da Taxa Básica do Banco Central (TBC), considerado o piso de juros, de 23,25%, em vigor, para esse suposto nível-limite.
Segundo o responsável pela Administração de Private Bank do Banco Sudameris, mesmo esse nível mais baixo de juro, se anualizado, contempla o investidor com ampla margem de ganho real em torno de 14%, descontada uma inflação média de 3,5% projetada para o ano.
Entre as opções no mercado de renda fixa, Santalúcia sugere os fundos de 60 e de 30 dias, ambos de renda fixa, excluídos os DI. Os fundos com essa característica estão proporcionando rentabilidade mais atraente, explica, porque os títulos de longo prazo da carteira, ajustados às taxas de mercado após o tranco dos juros de outubro, estão sendo favorecidos com a tendência descendente dos juros.

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