Tudo indica que o comportamento das Bolsas vai depender da situação do mercado externo este mês. Mas a tendência é de que haja uma redução da instabilidade ocorrida em agosto, quando os mercados acionários recuaram fortemente. Nesse período, as Bolsas de São Paulo e do Rio de Janeiro caíram nada menos de 17,58% e 16,09%, pela ordem.
A persistência e o agravamento da crise cambial nos países do Sudeste Asiático têm afetado os mercados acionários de todo o mundo. Além disso, a oscilação da Bolsa de Nova York e das taxas de juro dos títulos norte-americanos de longo prazo também prejudica o investimento em ações. Para voltar a subir com consistência, as Bolsas de Valores brasileiras dependem principalmente da presença do investidor estrangeiro.
Se essas incertezas diminuírem, é possível que o apetite do capital externo pelos mercados de ações do País volte a aumentar, uma vez que as cotações caíram muito em agosto e os preços ficaram atraentes. Mas, caso persista a possibilidade de elevação dos juros internacionais, as Bolsas podem ser prejudicadas, pois juro alto atrai o dinheiro investido em ações para papéis de renda fixa.
Augusto Teixeira de Freitas, sócio-diretor da Ático Administração de Recursos, entende que as taxas de juro externas (tanto da Alemanha quanto dos Estados Unidos) devem manter-se nos atuais níveis, o que tende a favorecer as Bolsas. Ele acredita que os investidores externos devem voltar a atuar na ponta de compra, já que muitas ações ficaram baratas. Para ele, o desempenho das Bolsas até o fim deste ano tende a superar o rendimento das aplicações de renda fixa. Todos os analistas frisam, contudo, que não haverá a repetição da valorização expressiva registrada no primeiro semestre.
O comportamento dos pequenos investidores é um fator que pode acabar prejudicando as Bolsas. Muitos deles entraram em fundos de ações e de carteira livre pela primeira vez este ano, e boa parte não está preparada para os sobressaltos desses mercados. Desse modo, a tendência é de que os saques continuem superando os depósitos nessas aplicações, como ocorreu em agosto.
O cenário para a renda fixa em setembro e nos demais meses do ano deve ser tranquilo. Para Freitas, o Banco Central (BC) deve manter a TBC e a TBAN (piso e teto do juro, pela ordem) nos atuais níveis, ou seja, em 1,58% e 1,78%.
Com isso, a perspectiva para a remuneração das aplicações de renda fixa é bastante positiva até o fim do ano. Em setembro, por exemplo, é bastante provável que a inflação fique bastante próxima de zero. Desse modo, o rendimento real de CDBs, caderneta e fundos de 30 e 60 dias tende a continuar bastante elevado.

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