O comportamento das Bolsas de Valores no curto prazo deve continuar atrelado à evolução do cenário externo. Se os juros dos títulos norte-americanos de longo prazo (T-Bonds) e a Bolsa de Nova York permanecerem oscilando como nos últimos dias, os mercados domésticos também tendem a manter a instabilidade.
Alguns dados divulgados na sexta-feira sobre a economia norte-americana mostraram nível de atividade inferior ao que esperavam analistas. Com isso, as taxas do T-Bond recuaram, um movimento favorável às Bolsas, pois juro menor na renda fixa não atrai recursos investidos em ações. Mas ainda não há clara indicação de acomodação dessas taxas.
Na semana passada, surgiu outro fator de instabilidade para as Bolsas: as declarações do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, de que vetará o aumento de capital de Telebrás, confirmado por decisão da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Se a idéia de Motta prevalecer, os recibos de subscrição de ações da estatal, emitidos em 1990, não serão convertidos em papéis preferenciais (PN). Por um lado, isso evitaria a desvalorização das ações PN, uma vez que não haveria aumento do volume desses papéis em circulação. Por outro, no entanto, abalaria a credibilidade do governo, por contrariar decisão judicial sobre uma questão que se arrasta há sete anos. Segundo o presidente do Banco Stock, Tony Rocha, esse tipo de atitude desagrada ao capital estrangeiro, que não gosta de mudanças nas regras do jogo. Ele lembra, a propósito, que há muitos investidores externos com recibos de subscrição de Telebrás em suas carteiras.
Até outubro, Rocha entende que as Bolsas tendem a continuar oscilando nos atuais níveis, sem grandes avanços ou recuos. Ainda que as recentes quedas tenham tornado atraente o preço de muitas ações, ele entende que o capital estrangeiro não deve voltar a atuar maciçamente no curto prazo, por conta da indefinição internacional. Além disso, ainda existe desconfiança de parte dos investidores externos sobre a situação da balança comercial brasileira. Para períodos mais longos, ele é otimista em relação às perspectivas das Bolsas. ‘‘Os fundamentos da economia estão positivos’’, diz.
Rocha acredita em inflação zero para setembro. O juro real, portanto, vai continuar elevado. Para ele, o Banco Central (BC) deverá manter os juros nos atuais níveis, embora entenda que existe uma remota possibilidade de redução. Hoje, a TBC e a TBAN (piso e teto de juro) estão em 1,58% e 1,78%, pela ordem.

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