As Bolsas devem ser a melhor opção de investimento durante o 4º ano do Real, ainda que não tendam a reprisar o desempenho dos últimos 18 meses. A migração de recursos da renda fixa para os fundos de ações e de carteira livre, nos últimos meses, vem dando sustentação à alta das Bolsas. Insatisfeito com os juros oferecidos pela renda fixa (de 1995 para cá, as taxas despencaram nominalmente), o investidor tem buscado maior remuneração na renda variável, ainda que se expondo ao risco. Além da queda dos juros, o presidente do Banco Stock, Tony Rocha, aponta a estabilização da economia como responsável por esse processo. Para ele, essa transferência de dinheiro deve persistir.
A perspectiva de aceleração da privatização também deve estimular as Bolsas. Segundo o diretor de Investimentos do Citibank, Luís Eduardo de Assis, o Brasil deve conseguir, até o ano 2000, US$ 80 bilhões com o programa de desestatização. Empresas dos setores de telecomunicação e de energia elétrica serão os destaques desse processo, que deve despertar maior apetite do capital estrangeiro por ações.
Assis não acredita, porém, que as Bolsas repitam, nos próximos 12 meses, a valorização apurada no primeiro semestre deste ano. ‘‘O melhor da festa já passou’’, diz. Mesmo assim, ele entende que os mercados acionários devem continuar proporcionando ganhos superiores aos da renda fixa.
Como os juros na renda fixa ainda permanecem elevados para padrões internacionais, Assis acredita que haverá uma queda - ainda que pequena - dessas taxas. E, caso o juro norte-americano se mantenha estável ou suba pouco, o Banco Central (BC) não teria razão para aumentar as taxas para manter a atratividade do investimento no Brasil.
Na renda fixa, os fundos de 60 dias devem permanecer as melhores opções. Assis acredita que os fundos devam ganhar ainda mais espaço dos CDBs, pois a aplicação neles é mais prática, com renovação automática.
Os FIFs de 60 dias que operam com derivativos (dólar e juro futuros, além de índices das Bolsas) também podem ser boa opção para quem quer rendimento mais elevado que o da renda fixa, mas não quer correr os riscos das Bolsas. Essas aplicações embutem risco, mas mais controlado.
Já a caderneta deve continuar pagando rendimento acima da inflação. E, se a cobrança da CPMF não terminar no começo de 1998, tende a permanecer a melhor opção para o prazo de 30 dias, pois muitos bancos isentam a aplicação em poupança desse tributo.

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