Arquivo FolhaCalmariaPregão da Bolsa de Valores de São Paulo: quadro deve ser favorável até o fim do anoO cenário para as Bolsas de Valores deve começar a ficar mais claro esta semana, depois do vencimento de exercício de opções, hoje. As oscilações fortes que ocorreram até agora em agosto tendem a diminuir. Neste mês, as Bolsas de São Paulo e do Rio de Janeiro acumulam perda de 11,95% e 9,83%, pela ordem.
O diretor da área de renda variável da Lloyds Asset Management (LAM), Paulo de Sá Pereira, projeta um quadro favorável para as Bolsas até o fim do ano. ‘‘Mas a valorização deve ser moderada, ficando um pouco acima da variação do Certificado de Depósito Interbancário (CDI)’’, diz ele. O CDI é um título negociado entre os bancos e seu juro serve como referência para a remuneração das aplicações de renda fixa.
Ainda que as Bolsas devam superar a renda fixa, o comportamento desses mercados deve ser bem mais instável que no primeiro semestre, acredita Pereira. ‘‘O nível de risco das Bolsas está bem maior’’, comenta.
Além disso, ele diz que a migração do dinheiro dos fundos de renda fixa para os de renda variável deve ocorrer em ritmo bem mais lento que o do primeiro semestre, quando esse movimento deu bastante alento às Bolsas. Os investidores externos também estariam olhando com mais atenção outras opções de investimento em ações, como o México, lembra.
Os fatores positivos para os mercados de ações são, no entender de Pereira, a continuidade do programa de privatizações, a inflação baixa, a estabilização das previsões do déficit comercial para este ano, entre outros.
Em sua avaliação, a exemplo do que ocorreu no primeiro semestre, as ações das empresas que serão privatizadas devem continuar rendendo mais do que as das companhias privadas.
O diretor da LAM acredita que o Comitê de Mercado Aberto do Fed (banco central dos Estados Unidos) não deverá elevar os juros básicos da economia em sua próxima reunião, que ocorrerá amanhã. Esse prognóstico, se confirmado, favorece as Bolsas, uma vez que o dinheiro investido em ações não seria atraído pela remuneração dos títulos de renda fixa norte-americanos. E, se o Fed não alterar as taxas, a Bolsa de Nova York, que recuou fortemente na semana passada, deve passar a apresentar comportamento menos instável.
Pereira aposta ainda na manutenção das taxas de juro brasileiras. Desde abril, o piso e o teto do juro no Brasil estão estáveis em 1,58% e 1,78%, respectivamente. Como a inflação deve ficar em níveis baixos até o fim do ano, o juro real pago pelas aplicações de renda fixa será considerável.

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