Bolsas despencam no mundo inteiro
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sexta-feira, 12 de dezembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
As bolsas do mundo inteiro despencaram ontem. A Ásia deu o tom negativo do dia. A Bolsa da Coréia do Sul fechou em baixa de 5,6%, a de Tóquio caiu 2,6%, Hong Kong perdeu 5,46%, Malásia recuou 7,4% e Indonésia cedeu 4,7%. Na Europa, Londres terminou o dia com desvalorização de 1,85% e Paris, -3,54%.
O mercado doméstico não fugiu a esta regra - nem poderia. O principal centro financeiro internacional - Wall Street - já abriu sinalizando um dia de prejuízos. E a queda do índice Dow Jones chegou a superar os 150 pontos. Nesse momento, o Ibovespa registrou sua pior marca do dia, com recuo de 6,43%.
Com a relativa recuperação do Dow - caía 84 pontos às 18 horas -, o Ibovespa conseguiu reduzir seu tombo para 3,72% no encerramento dos negócios. O volume negociado na bolsa paulista somou R$ 775 milhões. Telebrás PN perdeu 3,00%, cotada a R$ 113,00 o lote de mil ações. A Bolsa do Rio fechou em queda de 3,24%.
No mercado financeiro asiático, que reviveu ontem o clima de turbulência, aumenta a incerteza em relação ao futuro das moedas da região - com a divisa sul-coreana, o won, acumulando uma depreciação de 51% em relação ao dólar americano - e o Japão, para salvar seu próprio sistema financeiro, dando os últimos retoques em uma bilionária intervenção no mercado global que poderá significar a venda maciça de bônus do Tesouro dos Estados Unidos com reflexo nas taxas de juros internacionais.
Acompanhando o fuso horário, uma a uma, as principais bolsas de valores mundiais - na Ásia, Europa e Américas - foram sendo contaminadas pela crescente preocupação com o colapso da economia coreana. Os preços das ações na Bolsa de Valores de Seul fecharam em forte queda, com o principal índice em baixa de 5,62%, diante da forte e rápida queda do won e temores de que haja mais falências de grandes corporações, que enfrentam dificuldades em obter dólares para quitar seus financiamentos externos. O índice Kospi, das blue chips coreanas, fechou em 377,37 pontos, baixa de 22,48 pontos, depois do fechamento de 399,85 pontos de anteontem (alta de 3,05%).
O won, ontem, voltou a atingir sua intrabanda diária de desvalorização de 10% em apenas quatro minutos de negócios. Fechou com queda de 9,82%. No mercado cambial sul-coreano simplesmente desapareceram a moeda física americana e os operadores começavam ontem a falar em uma cotação de 2.000 wons por dólar na próxima semana. Há um mês a cotação era de 900 wons por dólar.
Para complicar a situação, a agência de classificação de risco Standard & Poors previu retração de cerca de 2% no PIB no próximo ano, citando as dificuldades de companhias que enfrentam problemas para liquidação de suas dívidas e a forte queda nos níveis de investimento pelas indústrias. e SK Telecom.
Seul irradiou sua influência para todos os países vizinhos. Fecharam em forte queda a Bolsa de Hong Kong - com a ex-colônia britânica voltando a temer novos ataques especulativos à sua moeda que tem paridade fixa om o dólar americano. O índice Hang Seng recuou 5,5%.
Em Bangcoc, sob os rumores de que o governo tailandês será forçado a recorrer a uma moratória da dívida interna e externa, os preços das principais ações recuaram 4,9%. O baht tailandês também experimentou novo limite de queda, acumulando uma desvalorização superior a 40% desde que começou a flutuar livremente em 2 de julho.


