Bolsas despencam e dólar vai a R$ 1,72
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Agência Estado 
As bolsas de valores perderam o chão ontem. O Ibovespa fechou em queda de 4,88%, a maior perda desde 14 de janeiro, um dia depois da saída de Gustavo Franco do Banco Central. O volume negociado somou R$ 685 milhões. Segundo operadores ouvidos pela Agência Estado, as tesourarias deram ordens de stop loss, os estrangeiros - que vinham sustentando o fluxo e os ganhos - atuaram só na ponta de venda e o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova Yorque levou um tombo de 175 pontos (-1,6%), para 10.654 pontos.
A estes, somou-se o comportamento dos títulos brasileiros, francamente baixista. O C-bond, por exemplo, caiu 1,59%, cotado a 62,0 centavos de dólar. Como pano de fundo, permaneceu o temor com a situação da Argentina. Se é para fazer caixa, todo mundo faz no mercado mais líquido, que é o Brasil, disse um executivo. O curioso é que a Bolsa de Buenos Aires fechou com perda de 2,70%, queda muito menor que o Ibovespa.
O dólar disparou ontem, acompanhando o nervosismo geral nos mercados e fechando a R$ 1,72. De acordo com operadores, não houve um motivo específico para a alta da moeda norte-americana. Mas o sentimento geral pode ser resumido assim: diante das dificuldades por que passa a economia argentina, ficará mais difícil a renovação de bônus brasileiros.
O clima deteriorado fez até com que voltassem os boatos da saída de Pedro Malan do Ministério da Fazenda. Embora seja conhecido que uma mudança ministerial está em curso, uma novidade deste calibre agora contribuiria para aumentar ainda mais a instabilidade.
Não é só Argentina. A frase está sendo repetida muitas vezes por operadores do mercado, na tentativa de explicar por que os ativos brasileiros estão sendo tão afetados - se não há fatos novos negativos em relação ao país vizinho e se não há mais indicadores terrivelmente ruins na economia do Brasil. Ontem, observaram os analistas, os mercados iniciaram bem os seus negócios - títulos, câmbio, juros, bolsas brasileiras, bolsa de Buenos Aires - mas quando o Ibovespa Futuro começou a cair forte, todos acompanharam.
Sem poder apontar fatos evidentes - a não ser os receios de desvalorização do peso argentino, mas que estão influenciando muito mais os negócios brasileiros do que os da própria Argentina - analistas começam a falar na possibilidade de um teste do mercado em relação ao Banco Central. Isso porque, até agora, o BC não tem feito maiores intervenções.
Hoje o Tesouro realiza um leilão de títulos prefixados (LTN de 98 dias) e outro de pós-fixados (LFT de 728 dias). No caso, o foco das atenções é o leilão dos prefixados, pois, na semana passada, BC e Tesouro decidiram não vender os prefixados que ofereceram ao mercado - as taxas pedidas pelas instituições financeiras estavam muito altas e também dispersas. Em relação ao juros, no mercado à vista o BC tomou recursos a 23,44%, integral.


