Bolsas de valores se recuperam
Agência Estado
O mercado financeiro retomou aparente normalidade, após ser sacudido, no dia anterior, pela turbulência proveniente da crise financeira na Rússia. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou com valorização de 1,36% e a do Rio de Janeiro, de 2,87%. As taxas de juros e as cotações do dólar também estiveram menos pressionadas, tanto nos negócios futuros quanto nos à vista.
A alta das Bolsas foi discreta, comparada com as baixas de 6,44%, em São Paulo, e de 6,40%, no Rio, nos pregões da véspera. Foi uma recuperação cautelosa, porque novos surtos de instabilidade podem ocorrer nos países asiáticos e na Rússia. A questão é saber como se comportará o fluxo de capital estrangeiro depois de mais um susto.
Um fator de fuga de capital, com a elevação de juros básicos norte-americanos, foi afastado, com a decisão do Fed (banco central dos EUA) de manter as taxas de juros inalteradas. Uma eventual alta dos juros poderia agravar ainda mais a crise internacional, ao atrair os recursos em trânsito pelo mundo para os títulos do Tesouro norte-americano.
O foco de interesse desloca-se hoje, domesticamente, para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que vai calibrar a Taxa Básica do Banco Central (TBC), o piso de juros, que estará valendo a partir de amanhã até 24 de junho (leia abaixo). Por motivos diferentes do Fed, o Banco Central poderia promover um corte menor que o previsto anteriormente ou até mantê-la em 23,25% ao ano corrente desde 16 de abril. Seria uma forma de manter a rentabilidade da renda fixa atraente para o capital estrangeiro.
A reação das Bolsas domésticas seguiu a reação dos demais mercados internacionais, principalmente da Indonésia e da Rússia. A Bolsa de Jacarta, na Indonésia, fechou com valorização de 6,03%, estimulada pela promessa do presidente Suharto de reformar sua equipe de governo e convocar eleições gerais. A da Rússia avançou 3,94%, como resposta à declaração das autoridades econômicas de que não haverá desvalorização do rublo, a moeda local. O temor de forte correção do rublo provocou fuga de capitais e uma baixa de 11,80% na Bolsa da Rússia na segunda-feira.
Também as Bolsas européias tiveram pregões de alta. A de Londres valorizou-se 0,9%, idêntica à de Paris. A Bolsa de Nova York fechou com discreta alta de 0,04%, apenas 3,74 pontos acima do fechamento anterior, em reversão de baixa, mantida durante boa parte da tarde, ocorrida pouco antes do fechamento do pregão.

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