Depois de um período de muito nervosismo e instabilidade, as Bolsas de Valores não projetam tendência mais clara para os próximos pregões. Na semana passada, os mercados de ações de São Paulo e do Rio recuaram 14,99% e 14,04%, respectivamente.
Como houve uma queda muito forte, é possível que as cotações se recuperem, uma vez que o preço de muitas ações ficou atraente. Entretanto, se os pequenos investidores que entraram mais recentemente na Bolsa sacarem maciçamente os recursos aportados em fundos de ações e de carteira livre, assustados com o mergulho dos mercados, a queda pode continuar.
Há pouco mais de uma semana, as Bolsas acumulavam alta surpreendente em 1997. Era natural e esperado um movimento de venda de ações por parte dos grandes investidores, para embolsar lucros. No entanto, a correção para baixo foi muito pesada: a Bolsa paulista, por exemplo, que chegou a acumular alta superior a 90% este ano, teve sua valorização no período reduzida a 58,82%. A crise cambial asiática, que preocupou o mercado, foi um dos pretextos que acabaram sendo usados pelos grandes investidores para derrubar as cotações. Saques dos fundos de ações e de carteira livre também provocaram a queda. E muitos grandes investidores tiveram de se desfazer de suas ações para cobrir prejuízos nos mercados futuros. Esse ambiente provocou muito nervosismo e acabou empurrando para baixo as Bolsas.
O diretor da área de renda variável da Lloyds Asset Management (LAM), Paulo de Sá Pereira, entende que as Bolsas caíram além da conta. ‘‘Acho que o ponto de equilíbrio dos mercados é mais alto que o atual.’’
Ele destaca que tanto o cenário externo como o interno continuam favoráveis às Bolsas. No plano externo, ele diz que as taxas de juro norte-americanas estão em níveis baixos, e a liquidez internacional continua alta. Internamente, além da perspectiva de continuidade do programa de privatizações, Pereira aponta a aprovação recente, pelo Congresso, de medidas de interesse do governo, como a prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) e da Lei Geral de Telecomunicações.
O panorama das aplicações de renda fixa deve permanecer sem grandes mudanças nas próximas semanas. Na quarta-feira, o Conselho de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), deve definir a TBC e TBAN (piso e teto do juro) para agosto. Tudo indica que as taxas serão mantidas nos atuais níveis, ou seja, a TBC deve continuar em 1,58% e a TBAN, em 1,78%. No segmento de renda fixa, os fundos de 60 dias permanecem com a melhor opção para o pequeno investidor.

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