Bolsas de Valores de São Paulo e Rio anunciam fusão
Agência Estado
De São Paulo
O presidente da Bolsa de Valores de São Paulo, Alfredo Rizkallah, e o presidente da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, Carlos Reis, anunciaram ontem a fusão das duas instituições. O protocolo de intenções para a integração das Bolsas será assinado nesta quinta-feira, com a presença presidente Fernando Henrique Cardoso. Pelo protocolo, a Bovespa passa a gerenciar o mercado de ações e a Bolsa do Rio, o mercado de títulos públicos.
As corretoras-membros da Bolsa do Rio poderão operar na Bovespa e vice-versa. O presidente da Bolsa de Valores do Rio, Carlos Reis, afirmou que a praça carioca continuará a realizar leilões de privatização até o final do ano. Segundo Reis, esse é o período necessário para que a Bolsa tenha receita enquanto não negocia os títulos públicos. De acordo com o presidente, a Bolsa do Rio terá exclusividade de 4 anos para negociar os papéis. Já o sistema de negociações de ações deverá encerrar suas atividades dentro de dois meses.
O presidente da Bovespa, Alfredo Rizkallah, acredita que a fusão trará mais competitividade para o mercado brasileiro. Além disso, afirmou, possibilitará que, através do sistema de negociação de títulos, o governo federal alongue o perfil da dívida pública.
Estima-se que esse mercado de títulos transacione, por dia, algo em torno de R$ 100 bilhões. Se a Bolsa do Rio conseguir negociar pelo menos 10% desse total, terá um volume de R$ 10 bilhões por dia, afirmou Rizkallah. O presidente da Comissão de Valores Mobiliários, Francisco da Costa e Silva, destacou que a fusão das duas bolsas poderá trazer uma redução significativa nos custos das corretoras.
Quanto à regulamentação do mercado de títulos, Costa e Silva disse que está sendo feito um estudo para que a supervisão de todo esse mercado secundário esteja sob a jurisdição da CVM. Sobre a negociação nas demais Bolsas regionais, Rizkallah explicou que está sendo feita, paralelamente, uma negociação com esses mercados. A idéia é que eles parem de negociar ações, atuando apenas como centros de informação. Rizkallah ainda está estudando de que forma irá integrar essas Bolsas ao mercado paulista.
UMA GRANDE BOLSA
1 A unificação será feita de forma semelhante às fusões de grandes empresas, com troca de ações entre as partes.
2 O patrimônio da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) é estimado em R$ 600 milhões.
3 O patrimônio da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ) é de R$ 100 milhões.
4 A Bovespa vai desdobrar seus títulos patrimoniais, avaliados em R$ 4,8 milhões cada, em 12 novos títulos, valendo R$ 400 mil cada
5 Cada título patrimonial da BVRJ será desmembrado em cinco, com valor também de R$ 400 mil cada
6 A CBLC irá comprar 150 títulos da Bovespa, totalizando R$ 60 milhões. Estes títulos serão repassados à BVRJ, que, em troca, transferirá para a CBLC o controle da CLC (Câmara de Liquidação e Custódia)
7 A BVRJ oferecerá, então, três títulos da Bovespa a cada uma das suas 50 corretoras. Em troca, as 50 corretoras cariocas devolverão três títulos à BVRJ, que serão cancelados.
8 No final, a Bovespa centralizará todas as operações do mercado de ações com a participação de corretoras de todas as regiões brasileiras
9 - A BVRJ vai administrar o mercado de títulos públicos de negociação eletrônica. O início das operações integradas deve acontecer em um prazo de 60 a 90 dias após a assinatura do protocolo de intenções, prevista para quinta-feira.





