Bolsas da Ásia têm dia de recuperação e o iene se valoriza
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de setembro de 1998
Agência Folha 
A ameaça de corte nos juros norte-americanos e mais intervenções de governos e de fundos públicos fizeram com que os mercados asiáticos se comportassem ontem como se nenhuma crise financeira tivesse atingido a região. Bolsas de valores tiveram altas recordes e o iene valorizou-se para seu mais forte patamar frente ao dólar dos últimos quatro meses (131,9 por dólar).
O comportamento de ontem dos mercados distancia a economia real dos países asiáticos, quase todas em recessão, das cotações de suas moedas e de suas bolsas.
A bolsa de Tóquio liderou a euforia do dia com uma alta de 5,3%, a segunda maior do ano. A causa: fundos de pensão compraram ações para garantir as vendas a descoberto que fizeram no mercado de opções e futuros e que serão liquidadas na sexta-feira. A Bolsa de Tóquio também tem sido beneficiada pela repatriação de fundos japoneses fugindo dos mercados emergentes.
A bolsa de Kuala Lumpur, na Malásia, subiu 22,5%, simplesmente a maior alta em todos os seus 24 anos de história. O motivo não foi dos mais saudáveis e é o mesmo que vem causando uma alta histérica do mercado de ações no país desde a semana passada, depois do pacote econômico que praticamente isolou essa economia dos mercados internacionais. Fundos controlados pelo governo gastaram alguns bilhões de dólares comprando ações. A Malásia também rebaixou juros e estimulou bancos a comprarem ações.
Ao mesmo tempo novas regras de liquidação de negócios estão impedindo investidores estrangeiros, desesperados para fugirem da Malásia, de venderem suas ações. A bolsa de Hong Kong também teve uma alta eufórica. Subiu 7,9% no primeiro dia de vigência das novas regras anunciadas oficialmente pela
administração da ilha, no final de semana, para restringir ao máximo as vendas a descoberto nos mercados futuro e de ações. Venda a descoberto significa a venda de uma ação ou de um contrato por alguém que não os possui e que pretende obter lucro prevendo (ou provocando) mudanças no mercado ocorridas entre a data da operação e de sua liquidação.


