Bolsas começam a mostrar acomodação
Embora ainda não tenham definido tendência, as Bolsas parecem ter superado a fase de bruscas oscilações enfrentada nas últimas semanas. O diretor da Ático Administração de Recursos, Jorge Salgado, é um dos que entendem que as Bolsas começam a encontrar seu ponto de equilíbrio, após o movimento de forte realização de lucros, que teve como estopim a crise cambial asiática.
Salgado vê boas perspectivas para o investimento em ações: Se a estabilidade for mantida e o governo conseguir seus objetivos, a tendência é de alta. Nesse quadro, o fluxo de recursos para os mercados acionários tende a continuar.
Ele aposta ainda que haverá uma realocação de recursos dentro da própria Bolsa. Para ele, as ações de primeira linha (as mais negociadas, como Telebrás e Eletrobrás) não têm espaço para grandes altas, já que apuraram valorização muito expressiva neste ano. Com isso, ações de empresas de segunda e terceira linha (menos negociadas) tendem a beneficiar-se. Há várias empresas bem administradas, com boas perspectivas de lucratividade e cujas ações estão com preços baixos, explica Salgado.
O cenário continua favorável às Bolsas, afirma o executivo da Ático. No momento, ele acredita que os juros norte-americanos não devam subir. Com isso, o dinheiro aplicado em ações não tende a migrar para os títulos de renda fixa dos Estados Unidos. Internamente, os juros também devem ficar estáveis, e o programa de privatizações está em curso.
Para quem pretende comprar cotas de fundos de ações ou de carteira livre, Salgado recomenda que o investidor não o faça de uma só vez, mas sim aos poucos. Assim, diminui a possibilidade de entrar num momento desfavorável dos mercados.
Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve mais uma vez os juros nos atuais níveis: a TBC e a TBAN (piso e teto das taxas, pela ordem) permanecem estacionadas em 1,58% e 1,78% também em agosto.
Salgado não vê espaço para quedas ou altas dos juros nos próximos meses. Como a inflação daqui até o fim do ano deve ser menor que a do primeiro semestre, o juro real pago pelas aplicações de renda fixa tende a aumentar. Isso deve ocorrer porque o reajuste das tarifas públicas não vai mais pressionar os índices inflacionários. Para quem prefere a segurança da renda fixa, Salgado indica os fundos de 60 dias.





