Bolsas começam a definir tendência a partir de hoje
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de outubro de 1997
Agência Estado São Paulo 
As Bolsas de Valores poderão começar a definir tendência a partir de hoje, quando ocorrem o vencimento dos contratos de opções e a divulgação de mais detalhes sobre o modelo de privatização do sistema Telebrás. Passado o vencimento de opções, a instabilidade dos mercados acionários deve diminuir, pois cessará a disputa entre os investidores que ganham com a alta e os que se beneficiam da queda das cotações.
Já o anúncio da fórmula de venda das estatais de telecomunicações pode dar alento ao mercado, desde que surjam novidades relevantes. Em outras ocasiões, o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, deu entrevistas que não trouxeram notícias importantes sobre o processo de privatização.
O diretor de Análise Econômica do Banco BMC, Marcelo Allain, diz que o desempenho das Bolsas deve superar o da renda fixa nos meses que faltam para o fim do ano, mas embutindo maior risco do que no primeiro semestre.
Segundo ele, o cenário externo pode trazer alguma eventual turbulência para as Bolsas, caso haja uma elevação dos juros norte-americanos. O Fed (banco central dos Estados Unidos) reúne-se no dia 12 de novembro para tratar desse assunto. Allain considera que a crise do Sudeste Asiático está esvaziada, e não deve contaminar a economia brasileira.
No âmbito interno, o diretor do BMC diz que o mercado vai acompanhar com interesse a evolução do déficit comercial. Se o rombo de outubro for muito significativo, os investidores podem ficar mais retraídos. Além disso, lembra ele, a definição do modelo de privatização das estatais federais e estaduais (especialmente as energéticas) terá bastante influência sobre as Bolsas. Allain menciona tambem outro fator: uma decisão sobre a conversão ou não dos recibos de subscricão de Telebrás em papéis preferenciais da empresa, que deve ser anunciada em breve.
Allain diz que, em agosto e setembro, o mercado chegou a apostar, por conta dos problemas no Sudeste Asiático, que o Banco Central (BC) seria obrigado a elevar os juros. Essa percepção, no entanto, não é a que predomina entre os investidores agora. Por isso, ele acredita que as taxas de juro devam continuar nos atuais níveis até o fim do ano. Como a inflação daqui até o fim do ano deve ficar abaixo de 0,3% ao mês, o juro real oferecido pelas aplicações de renda fixa será bem polpudo, comenta. A taxa líquida mensal de um fundo de 60 dias fica na casa de 1,30%.


