São Paulo

Toru Yamanaka/AFPPregão de quedaBolsa de Tóquio, ontem: operadores assistem ao índice Nikkei fechar no mais baixo nível desde julho de 95As bolsas asiáticas fecharam ontem, mais um vez, em queda generalizada. A de Tóquio terminou o dia com índice negativo de 3,36% - o mais baixo índice Nikkei desde julho de 1995. O Nikkei caiu 515,49 pontos, para 14.799,40 pontos. Na sexta-feira, o índice havia caído 846,75 pontos (5,23%). Segundo operadores do mercado japonês, novamente os temores a respeito da estabilidade do sistema financeiro nacional fizeram cair as cotações. Os investidores crêem que outras empresas com dificuldades financeiras possam falir.
Na Tailândia, a Bolsa de Bangkok fechou com o índice SET em queda de 8,30 pontos (2,15%), em 376,95 pontos. Segundo operadores locais, o que derrubou o índice foram dois fatores: o rebaixamento do rating do país pelo instituto norte-americano Moody’s e a preocupação com os problemas financeiros enfrentados pelo Japão.
Na Malásia, a Bolsa de Kuala Lampur fechou com o índice composto em queda de 8,93 pontos (1,54%), em 569,83 pontos, com o mercado operando em volume moderado. Os participantes do mercado ainda estão ponderando as implicações da previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), de menor crescimento da Malásia em 1998, e o rebaixamento do rating da dívida do país pela Moody’s. O FMI prevê crescimento de 2,5% em 1998, contra os 4% projetados pelo governo. A Bolsa de Cingapura foi na esteira dos países vizinhos e caiu 1,97%. O índice Straits Times caiu 30,96 pontos, fechando em 1541,65 pontos. Apesar do número considerável de fatores negativos, a Bolsa de Cingapura não teve perdas tão extensas quanto as outras da região, disseram alguns dealers. No final do dia, o dólar de Cingapura estava em baixa de 0,6% frente ao dólar norte-americano.
A Bolsa de Londres sofreu o impacto da queda asiática e fechou com o índice FT-100 em baixa de 2,0 pontos (0,04%), em 5.018,2 pontos. O volume ficou em 578,6 milhões de ações negociadas. O mercado londrino operou a maior parte do pregão em alta, com o FT-100 alcançando a máxima de 5.048 pontos.
A Bolsa de Paris não acompanhou os mercados em queda e fechou ontem em nítida alta, acompanhando o dólar e Wall Street, com um aumento do índice CAC 40 de 1,66%. Sexta-feira o CAC baixou 2,5%. O mercado permaneceu moderadamente ativo com um volume de negócios de 7 bilhões de francos.
Ontem, Nova York segurou mais um dia de queda nos mercados asiáticos. O índice Dow Jones fechou com alta de 0,81%. As bolsas brasileiras confirmaram uma tendência muito positiva: o mercado, que já havia se descolado da Ásia, ensaia agora alçar vôo próprio, independente de NY. É claro que esse movimento ainda ocorre de modo tímido e em proporções limitadas. Mas, confiantes nos fatores internos positivos, players e investidores continuaram comprando mesmo quando o índice Dow Jones cortou ganhos, depois do almoço, recuando da máxima em +88 pontos para operar ligeiramente positivo durante o período da tarde. No final da tarde, voltou a subir, reforçando a alta no fechamento da Bovespa. ‘‘Para nós, o zero a zero em NY já está muito bom’’, disse o executivo de um banco estrangeiro. O Ibovespa fechou o dia em alta de 3,88%. A Bolsa do Rio subiu 0,97%.
Colapso coreanoA aguda escassez de dólares na Coréia do Sul provocou um novo colapso da moeda nacional ontem. O won, que já havia levado um tombo na sexta-feira, sofreu desvalorização de 10%, acumulando perda de 52% no ano e abrindo espaço para a queda livre. É cada vez maior o temor da comunidade financeira internacional de que, sem moeda forte suficiente, a Coréia do Sul deixe de honrar compromissos internacionais, cujos vencimentos se concentram nas próximas duas semanas. O que precipitou a desvalorização de ontem foi um relatório da Moody’s, agência norte-americana de classificação de risco de crédito, que rebaixou a avaliação de bancos e empresas coreanas. A Bolsa de Seul caiu 1,03%.

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