Bolsa volta a ser melhor investimento
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terça-feira, 30 de setembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
Embora tenham percorrido um mês de forte instabilidade, alternando períodos de altas e baixas, as Bolsas de Valores fecharam setembro contemplando o investimento em ações como o mais rentável entre as aplicações. Com valorização de 11,20% em São Paulo e de 10,24% no Rio de Janeiro, as Bolsas deram também a volta por cima após apurar variação negativa em agosto, pela primeira vez no ano. O resultado não foi suficiente, contudo, para neutralizar as perdas do mês passado, de 17,58% no mercado paulista e de 16,09% no carioca.
Embora tenham retomado a alta nos últimos pregões, as Bolsas tiveram forte esvaziamento dos negócios em setembro, provocado por vários fatores de incerteza. Um deles foi o temor de que a turbulência cambial em países asiáticos contaminasse a economia dos países emergentes, incluída a do Brasil; o outro, a pendência dos recibos de Telebrás, cuja emissão foi considerada legal pela Justiça, mas a conversão em ações é contestada pelo ministro Sérgio Motta, das Comunicações.
A idéia de superação da crise cambial asiática, nos últimos dias, cria um ambiente favorável às Bolsas em outubro, avalia James Ferraz Alvim Netto, diretor da Corretora Safic. Ela afasta o temor de ataque especulativo contra o real, explica Alvim Netto, que aponta como fatores positivos para as Bolsas, ainda, a decisão do Fed, o banco central americano, de manter inalteradas as taxas de juro básicas dos EUA, ontem, e o leilão de privatização da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), no início de novembro.
Um dos principais focos de interesse do mercado no mês que começa, tudo indica, será a evolução do déficit da balança comercial, que deve fechar setembro acima de US$ 1 bilhão e teria expansão em outubro. Especulações em torno do rombo na conta de comércio exterior podem reforçar a instabilidade do mercado de ações alimentada pela aproximação do vencimento de contratos de Índice Bovespa (IBovespa) futuro, dia 15, e de exercício de opções, dia 20.
Renda fixa O rendimento das aplicações de renda fixa voltou a superar a inflação. A margem de juro real foi ampliada, mais uma vez, pela inflação declinante e pode ser mantida, porque não há indicações de pressão sobre a inflação também neste mês. A tendência é de estabilidade dos juros, como deixou claro o Banco Central na reunião que definiu o piso e o teto de juro para outubro. O piso, espelhado pela Taxa Básica do Banco Central (TBC), foi mantido em 1,58% e o teto, refletido na Taxa de Assistência aos Bancos (TBAN), em 1,78%, pelo sétimo mês consecutivo.


