A Bolsa de Valores paulista ainda está perdida, à procura de novo patamar para os preços das ações. Ontem, o Índice Bovespa voltou a cair forte, recuando 7,21%. Anteontem havia subido 8,81%, na sequência da baixa recorde de 8,51%, montanha-russa que deixa o mercado com os nervos à flor da pele. As explicações para a nova queda foram as mais variadas e incluíram até a crise no Estado de Alagoas.
Entre elas, a que guardou relação mais próxima com o mercado de capitais foi o anúncio de que o Sistema Telebrás vai baixar as tarifas a partir de 98, o que, em tese, poderia reduzir os lucros das teles que serão privatizadas. O certo é que o mercado continua francamente vendedor, com muitos vendendo para realizar lucro - ou perder menos.
O Ibovespa, termômetro da média ponderada do mercado, continua com alta de 66,5% no ano, o que reflete em larga medida o desempenho de Telebrás. Em um período de 12 meses, a alta do índice é ainda maior, acumulando valorização de 88,7%.
Outra explicação é a de que voltou a haver saques nos fundos de renda variável, o que acaba aumentando a oferta de papéis. A queda da Bolsa se agravou à tarde, depois que as mesas receberam informações sobre ordens de resgate nos fundos de ações.
A agitação do mercado de ações não chegou a ter impacto no mercado de dólar, onde houve queda das cotações no mercado futuro. No mercado à vista, o Banco Central precisou inclusive realizar um leilão de compra, para evitar que as cotações caíssem abaixo do piso da minibanda de variação.
Isso mostra que os efeitos internos são bem maiores que os externos (crise cambial na Ásia) na atual turbulência das Bolsas.
ResgatesA grande participação de pessoas físicas na Bolsa, via fundos de investimentos, continua potencializando o movimento de baixa. Ontem, comentava-se no mercado que, motivados pelos pedidos de resgates de seus clientes, os fundos de ações e os fundos carteira livre (que investem em ações e em renda fixa) dos bancos de varejo foram mais uma vez os maiores vendedores da Bolsa.
Embora os bancos venham negando a existência de movimentos expressivos de resgate em seus fundos que aplicam em ações, essa foi uma explicação
unânime entre os analistas ouvidos pela reportagem. O pequeno investidor não gosta mesmo de ver suas economias envolvidas em situações de risco elevado e reage imediatamente.
Alguns operadores afirmaram que a última vez que se viu tamanha presença de investidores pessoa física na Bolsa foi na década de 70. E as perdas foram tantas na época que só agora a aplicação em ações estava reconquistando a confiança do pequeno investidor. Além das ordens de resgate dos cotistas, os bancos continuam fazendo caixa, ou seja, vendendo antecipadamente.
‘‘Os grandes bancos acreditam que seus clientes, que não têm experiência em ações, vão acabar pedindo resgate uma hora ou outra’’, disse o administrador de carteira do Banco Interfinance, Álvaro Alfonso Mendonça.

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