Bolsa tem a maior queda em 28 meses
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terça-feira, 15 de julho de 1997
Agência Estado São Paulo 
Agliberto Lima/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Dia de tensãoOperadores nervosos ontem à tarde, no pregão da Bovespa: tombo foi maior que o esperado pelo mercadoA Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou ontem a maior queda dos últimos 28 meses. O pregão fechou com queda de 8,51%. Desde 9 de março de 1995, quando o governo mudou a banda cambial pressionado pela crise do México, a bolsa não caia tanto. O tombo foi maior do que o esperado pelo mercado, que já vinha apostando numa redução nos negócios nesse segundo semestre. No Rio de Janeiro, a queda de 7,7% registrada ontem foi a maior desde janeiro de 1995. A queda do ISenn (Indice do Sistema Eletrônico de Negociação Nacional), que engloba 11 Bolsas brasileiras, lideradas pela do Rio, foi de 7,9%.
Os analistas apontam, entre os motivos que estão derrubando as bolsas de valores, os resgates realizados por investidores locais de fundos de ações e carteira livre, duas aplicações que nos dois últimos meses vinham inflando as cotações das ações para surpresa dos especialistas.
Segundo o diretor do Unibanco Asset Management (UAM), Renato Radiglione, só ontem houve uma saída de recursos dos fundos de ações e carteira livre equivalente a toda a captação positiva do mês. Ele calcula em cerca de R$ 1 bilhão o volume resgatado pelos fundos ontem. A queda nas bolsas foi provocada em grande parte pelos investidores locais com dinheiro aplicado em fundos, diz Radiglione. É gente que nunca investiu em ações e na primeira realização de lucros se apavora, afirma.
O gerente de Bolsa do ING Bank, Paulo Bilecizkjian, relaciona a queda com a crise nos países asiáticos e diz que o nervosismo se espalhou pela América Latina, pois a Bolsa de Buenos Aires fechou com queda de 3,38% e a do México também caiu 1,73%. Na sua interpretação, contudo, esse nervosismo não se justifica. O Brasil não é o sudoeste asiático e um ataque especulativo contra o Real não é fácil de fazer, observou.
A crise nos países asiáticos levou alguns investidores estrangeiros a vender ações para realizar lucros. Essa realização de lucros por parte dos estrangeiros já vinha sendo prevista. Do início do ano até o dia 14 a Bovespa acumulou valorização de 80,3%, muito acima do previsto. Desde maio, o Lloyds alertava os clientes que a bolsa já estava com preço justo. Uma hora teria de haver esse ajuste e ele acabou ocorrendo depois da abertura da Banda B de telefonia e coincidiu com a crise na Ásia, ressalta o diretor de renda variável da Lloyds Asset Management, Paulo de Sá. Do ponto de vista de preço, o mercado já voltou a ficar atrativo para compra, afirma.
Para o gerente de Bolsa do ING a situação não chega a ser preocupante, pois os clientes corporativos não fizeram nenhum movimento agora para se proteger, no futuro, de suas posições com o câmbio. Um sintoma, diz ele, de que a economia real continuou tranquila.


