Bolsa tem a maior alta em cinco meses
Agência Estado
De São Paulo
O mercado financeiro vive uma inacreditável reviravolta de humor. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) disparou ontem, superou os 12 mil pontos e fechou em alta de 4,96%, nos 12.346 pontos. Foi o maior salto da bolsa paulista desde 26 de maio, quando o Ibovespa subiu 6,06%. E mais: desde o dia 14 de maio que o índice da carteira teórica paulista não superava a pontuação registrada ontem. O volume negociado em São Paulo somou ótimos R$ 922 milhões.
Analistas dizem que as Bolsas tendem a antecipar os dias melhores que virão em 2000. Apostam que o País crescerá os 4% previstos pela equipe econômica, confiam que o BC vai monitorar o dólar de tal forma que a inflação não dispare e que os estrangeiros passarão a considerar novamente o Brasil como bom porto para investimentos. Este quadro seria suficiente para autorizar um espaço maior para as ações nos portfólios dos investidores, uma vez que os papéis brasileiros estariam baratos.
Há ainda um menor temor em relação ao bug do milênio nos trópicos. A própria Moodys divulgou relatório na segunda-feira dizendo que os bancos brasileiros se incluem entre os de países que estão na linha de frente na preparação para o ano 2000.
As ações do Banco Central na semana passada e o bom desempenho das bolsas ontem garantiram um ambiente tranquilo também para os negócios no câmbio. O dólar encerrou o dia em baixa de 0,10%, cotado a R$ 1,9410. A mínima chegou a R$ 1,9380.
O mercado de câmbio parece já ter assimilado as novas condições apresentadas pelo BC: fim do limite das posições vendidas, disponibilidade de mais US$ 2 bilhões para intervenção no mercado de câmbio e atuação do Banco Central com leilões de venda. O mercado também já tem como certo o teto informal do dólar a R$ 2,00. Esse é o preço que ameaça as metas de inflação, afirmou um operador.
A questão que se coloca agora nas mesas de operações é até onde o dólar poderá cair. Operadores destacam que ontem, por exemplo, o dólar resistiu em fechar abaixo de R$ 1,94. Mas há apostas na possibilidade de as cotações caírem ainda mais. O dólar poderá chegar a R$ 1,92, comentou um operador.
Ajudaria a derrubar ainda mais o dólar o bom volume negociado na Bovespa. Tem dinheiro de fora entrando na bolsa, afirmou um operador. Ele afirma também que a balança comercial não seria um impedimento para uma maior redução das cotações. Está provado que a reação das exportações não está unicamente ligada à taxa do câmbio, afirmou ele, dando como exemplo o déficit acumulado na balança este ano, até outubro, de quase US$ 1 bilhão (leia ao lado).Bovespa subiu 4,96% ontem, com ótimo volume financeiro. Para analistas, uma antecipação dos dias melhores que virão
Lindauro Gomes/Agência EstadoTENDÊNCIA POSITIVAPara o secretário Ivan Ramalho, números são animadores: crescimento consistente nas exportações





