Bolsa surpreende de novo: alta de 8,8%
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quarta-feira, 16 de julho de 1997
Agência Folha São Paulo 
A Bolsa de Valores de São Paulo voltou a surpreender ontem. Dessa vez, com alta de 8,81%, recuperando assim a queda do dia anterior e ainda ganhando 0,30%. Redução dos saques dos fundos de ações, tranquilidade nos mercados asiáticos e recorde na Bolsa de Nova York foram as principais explicações de analistas e operadores ouvidos ontem pela reportagem.
Com isso a Bolsa paulista conseguiu ter a sua maior alta desde março de 95. Na terça-feira, havia sido a maior baixa também desde 95, naquela ocasião provocada pela crise mexicana.
Essas oscilações fortes podem continuar ocorrendo, inclusive porque, nas últimas semanas, a alta se apoiou nas compras de fundos de ações, os quais, por sua vez, injetavam dinheiro de pequenos e médios investidores. Quando começou a crise na Ásia, esses recursos começaram rapidamente a sair do mercado, ampliando o clima de nervosismo.
Carlos Augusto Angerani, diretor do banco Excel Econômico, diz que, depois de um dia de grandes resgates nos fundos de renda variável na terça-feira, ontem os saques foram residuais. Paulo de Sá Pereira, do Lloyds Bank, confirma a informação. Na terça-feira, perdemos 8% do patrimônio dos fundos de renda variável, mas hoje os resgates foram mínimos e empataram com os depósitos.
Essa fase tensa da Bolsa ocorre com os investidores estrangeiros retraídos em relação ao ímpeto de investimentos de meses atrás. Segundo informou a Bolsa ontem, as compras dos investidores estrangeiros superaram as vendas em apenas R$ 7,7 milhões até o dia 10 deste mês. Em maio, por exemplo, esse saldo havia sido positivo em R$ 259,3 milhões.
O que chamou a atenção na recuperação das cotações ontem foi a velocidade e a intensidade. Eduardo Santalucia, gerente de investimentos do Sudameris, faz o alerta: Quem aplicar e resgatar na manchete (de jornal) vai perder dinheiro. Bolsa é investimento de longo prazo, insiste.


